A Polícia Civil investiga denúncia de caso de negligência médica envolvendo a morte de um bebê no momento do parto, que aconteceu na quinta-feira (23), no Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo, o São Camilo, em Itapipoca.

Segundo informações da avó do bebê a família recebeu o corpo da criança com o rosto destroçado. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), comentou que a família percebeu “lesões provocadas na cabeça e no pescoço do bebê”.

A avó ressalta que a mãe deu entrada na unidade de saúde para fazer o parto cesária, já que o “bebê estava atravessado”, mas acabou fazendo parto normal.

A avó da criança relatou para a equipe do Portal Itapipoca que a filha chegou a desmaiar na hora do parto normal, quando o médico puxava a criança. Após isso, a equipe médica levou a mãe para o centro cirúrgico. Neste momento, a avó não pode mais acompanhar o parto e ficou aguardando. Duas horas depois, o hospital informou a ela que o neto já nasceu morto e entregou o corpo da criança enrolado em um pano e dentro de uma caixa.

Ainda de acordo com informações apuradas pela nossa reportagem, o hospital orientou para a avó do bebê que a família não abrisse a caixa e fizesse o velório da criança dentro do recipiente. Ainda na quinta-feira (23), o pai do bebê, decidiu abrir a caixa e viu que o filho estava com o rosto destroçado e deformado. O Portal Itapipoca viu as imagens e, por conta das cenas fortes, decidiu não publicá-las.

Indignado com a situação, o pai da criança registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) na Delegacia Regional de Itapipoca. O delegado da unidade, Dr. Pimentel, confirmou a denúncia.

“O corpo da criança já estava autorizado pelo hospital para ser velado. Mas a família não aceitou porque a face estava destruída e irreconhecível. Como é uma suspeita de um crime, o delegado plantonista determinou que fizesse exame cadavérico na Perícia Forense (Pefoce) de Fortaleza”, explicou o delegado da Polícia Civil.

Após a chegada da perícia, Dr. Pimentel comentou que a polícia foi ao hospital e solicitou prontuário do atendimento para instaurar o inquérito. O plantão do médico que fez o atendimento tinha finalizado, e ele já havia ido embora. O delegado disse que também aguarda o laudo cadavérico da Pefoce. “Depois disso vamos começar a escutar o médico e toda a equipe que fez o atendimento da mulher e da criança”, pontuou o delegado, afirmando que o inquérito vai verificar se houve negligência e possível omissão por parte do hospital.

Em nota, a SSPDS disse que, nesta sexta-feira (24), a diretoria do hospital foi escutada pela Polícia Civil e que, nos próximos dias, o obstetra deverá ser ouvido. O Portal Itapipoca entrou em contato com o Hospital São Camilo, mas não conseguiu falar com a diretoria, nem com o médico que fez o parto.

Versão do HospitalA redação do Diário do Nordeste entrou em contato com o Hospital São Camilo na sexta-feira, mas não conseguiu falar com a diretoria, nem com o médico que fez o parto. No sábado (25), a Unidade enviou uma nota esclarecendo que, no dia 22, a bolsa das membranas se rompeu espontaneamente e a paciente entrou em trabalho de parto com rápida evolução e início da expulsão do bebê. Segundo a literatura médica, uma vez iniciada a expulsão, não é possível interrompê-la para dar início ao parto cesárea, sendo indicada, neste caso, a condução por vias naturais. Durante o parto, foi detectado um caso de encravamento de cabeça derradeira, que é quando a cabeça do bebê fica presa no canal uterino. Segundo o Hospital, esta é uma situação incomum e que exige procedimentos específicos para sua continuidade.

A paciente teria sido levada ao Centro Cirúrgico do Centro de Parto Normal (CPN) e, após outras diversas manobras, também previstas em literatura médica para a conclusão deste tipo de parto, detectou-se o óbito do feto por asfixia intrauterina. Com este diagnóstico, foram iniciados imediatamente os procedimentos para a preservação da vida da mãe e a conclusão do parto. Para que fosse feita a passagem da cabeça do bebê natimorto, foi necessária a aplicação de técnicas para o desprendimento da cabeça do bebê, que ocasionaram as lesões pos-morten.

Ainda de acordo com a Unidade, a técnica aplicada durante o atendimento à mãe evitou a retirada total do útero, denominada histerectomia, com possíveis episódios de hemorragia ou outras complicações para a mãe que poderiam levá-la a óbito. Em nota, afirma-se que o procedimento descrito assegurou a preservação de todos os órgãos reprodutores da paciente e sua vida.

Em relação ao corpo do feto, o Hospital ressaltou que “ele foi preparado no Necrotério do Hospital para entrega à funerária, mas a avó materna solicitou a retirada do corpo pessoalmente e informou que o levaria por vias próprias e assim o fez”. O diretor do Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo, Juliano Ragnini, afirma que este não é o procedimento adotado pela Unidade, que segue um fluxo pré-determinado para o preparo e a entrega dos corpos.

Confira nota da SSPDS na íntegra:

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informa que a Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) foi acionada, nessa quinta-feira (23), para atender uma ocorrência de possível morte de um recém-nascido, provocada por negligência médica, na cidade de Itapipoca – Área Integrada de Segurança 17 (AIS 17). Conforme as informações repassadas pelos familiares, o corpo da criança foi entregue pelo hospital dentro de um caixa para ser sepultado, tendo a unidade informado para os familiares que não abrissem o recipiente. Contudo, durante o velório, as pessoas decidiram abrir a caixa e perceberam lesões provocadas na cabeça e no pescoço do bebê.

O caso foi registrado na Delegacia Regional de Itapipoca e a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) foi acionada. O corpo da criança foi encaminhado para a Coordenadoria de Medicina Legal (Comel) da Pefoce, em Fortaleza, onde serão realizados os exames periciais determinantes para o andamento das investigações. Ainda nessa quinta-feira, a Polícia Civil realizou diligências e ouviu a diretoria do hospital. As demais partes envolvidas, entre elas, o obstetra que realizou o parto e a mãe da criança, serão ouvidos nos próximos dias. Mais detalhes serão divulgados no momento oportuno.


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