Mais de 30 anos após a morte do cantor e guitarrista Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, novas alegações voltaram a levantar questionamentos sobre as circunstâncias do caso. O artista foi encontrado morto em 5 de abril de 1994, aos 27 anos, em sua residência em Seattle, nos Estados Unidos. À época, exames oficiais concluíram que ele havia cometido suicídio com um disparo de espingarda autoinfligido.
Um relatório recente, divulgado em revista especializada em ciência forense, aponta possíveis inconsistências na autópsia e em registros médicos da investigação original. Elaborado por uma equipe privada de cientistas forenses, o documento sustenta que determinados elementos clínicos e circunstanciais não seriam compatíveis com uma morte imediata provocada por arma de fogo, levantando, assim, a hipótese de homicídio.
Entre os pontos analisados estão detalhes da cena onde o corpo foi encontrado. Segundo o relatório, as mangas da camisa do músico estavam arregaçadas e um kit contendo seringas, cotonetes e fragmentos de heroína foi localizado a poucos metros de distância. Para os especialistas, a organização do material não corresponderia ao padrão esperado em um caso de suicídio.
Questionamentos sobre a autópsia
O laudo original registrou presença de líquido nos pulmões, hemorragia ocular e danos em órgãos como fígado e cérebro. A investigação policial também indicou que Cobain teria injetado uma dose de heroína considerada muito superior ao consumo habitual, mesmo entre usuários frequentes.
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De acordo com a nova análise, tais achados seriam mais compatíveis com um quadro de overdose — condição que compromete a respiração e a circulação sanguínea — do que com uma morte instantânea por disparo de espingarda. O relatório ainda sugere que sinais como sangramento ocular e lesões orgânicas poderiam ter sido provocados por privação de oxigênio anterior ao tiro fatal.
Os cientistas também questionam a ausência de sangue nas vias respiratórias, algo considerado comum em ferimentos por arma de fogo na cabeça. Outro ponto levantado envolve a possível integridade do tronco encefálico após o disparo de uma espingarda Remington Modelo 11 calibre 20, além da posição do braço do músico, que não indicaria a rigidez típica observada em lesões graves nessa região.
Para a equipe responsável pela nova avaliação, esses elementos sugerem que Cobain poderia já estar fisicamente incapacitado antes do disparo.
Posição oficial permanece inalterada
O gabinete do médico legista do Condado de King, responsável pela conclusão de suicídio em 1994, reafirmou que a causa oficial da morte permanece a mesma. O órgão declarou, contudo, que estaria disposto a reavaliar o caso caso surjam evidências substanciais — o que, segundo informou, ainda não ocorreu.
Mesmo décadas após o ocorrido, a morte de Kurt Cobain continua cercada de controvérsias e debates públicos, mantendo vivo o interesse sobre um dos episódios mais marcantes da história recente da música.



