O conflito no Oriente Médio ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (11), após o Irã lançar uma série de ataques contra Israel e contra posições militares norte-americanas na região. Paralelamente, pelo menos três embarcações foram atingidas no Golfo, ampliando as preocupações sobre a segurança das rotas marítimas e sobre o fornecimento global de energia.
De acordo com autoridades militares iranianas, mísseis foram disparados contra uma base dos Estados Unidos localizada no norte do Iraque, além do quartel-general naval norte-americano no Bahrein. Outro alvo atingido foi a cidade de Be’er Ya’akov, situada na região central de Israel. Explosões também foram registradas no Bahrein, enquanto em Dubai dois drones caíram nas proximidades do aeroporto internacional, deixando quatro pessoas feridas.
Os ataques ocorrem em meio à escalada da guerra iniciada há quase duas semanas, quando Israel, com apoio dos Estados Unidos, intensificou operações militares contra o território iraniano. O Pentágono informou que as ações realizadas na terça-feira (10) contra o Irã foram as mais intensas desde o início do confronto.
Após bombardeios que atingiram prédios ligados a um banco iraniano durante a madrugada, o governo de Teerã afirmou que pretende retaliar mirando instituições financeiras ligadas a Israel e aos Estados Unidos em diferentes países do Oriente Médio.
Interrupção no fluxo de petróleo
A crise também afeta diretamente o mercado energético global. O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, segue com a navegação comprometida. A região é responsável pela passagem de cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado internacionalmente.
Esta já é considerada a maior interrupção no fornecimento de energia desde as crises do petróleo registradas na década de 1970. Apesar disso, após uma forte alta no início da semana, os preços do petróleo registraram leve recuo, enquanto os mercados financeiros demonstraram recuperação parcial.
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Navios atingidos no Golfo
A insegurança marítima também aumentou nos últimos dias. Segundo agências internacionais que monitoram a navegação, mais três navios mercantes foram atingidos por projéteis de origem ainda desconhecida no Golfo, elevando para 14 o número de embarcações danificadas desde o início da guerra.
Entre os casos registrados está um cargueiro de bandeira tailandesa, que sofreu uma explosão a bordo e precisou ter sua tripulação evacuada após um incêndio. Um navio porta-contêineres de bandeira japonesa e um graneleiro registrado nas Ilhas Marshall também sofreram danos.
Situação interna no Irã
Enquanto isso, a população da capital iraniana segue lidando com os impactos dos bombardeios. Moradores de Teerã relatam que ataques aéreos noturnos se tornaram frequentes, levando centenas de milhares de pessoas a deixarem a cidade em direção ao interior do país.
Além disso, incêndios em instalações petrolíferas têm provocado grandes colunas de fumaça que encobrem parte da cidade.
“Ontem à noite houve novos bombardeios, mas já não fiquei tão assustado quanto antes. A vida continua”, relatou à agência Reuters um morador de 52 anos identificado apenas como Farshid.
Liderança iraniana
Informações divulgadas por fontes ouvidas pela Reuters indicam ainda que Israel acredita que o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei tenha sido ferido no início da guerra, durante ataques aéreos que teriam matado integrantes de sua família, incluindo seu pai, o aiatolá Ali Khamenei.
O estado de saúde do líder, no entanto, não foi confirmado oficialmente. A televisão estatal iraniana referiu-se a ele apenas como um “veterano ferido”. Desde que foi apontado como sucessor de seu pai, Mojtaba Khamenei não apareceu em público nem divulgou pronunciamentos diretos.
A escalada do conflito mantém a comunidade internacional em alerta, diante do risco de expansão da guerra e de novos impactos na economia global.



