Um homem de 37 anos denunciou ter sido vítima de uma grave agressão física após uma reunião realizada em uma cooperativa de transporte, em Itapipoca. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, o episódio aconteceu quando ele deixava o local, após participar de uma reunião relacionada ao direito de transporte gratuito de seu companheiro, que é pessoa com deficiência (PCD).
A vítima é Fernando Lemons Francisco, de 37 anos, que se identifica como homem cis e gay. O caso foi registrado pela Polícia Civil como lesão corporal dolosa.
Fernando e seu companheiro Gabriel residem no município de Trairi, no litoral oeste do Ceará. De acordo com os documentos apresentados no caso, eles utilizavam o transporte da cooperativa para deslocamentos até Itapipoca, onde Gabriel realizava tratamento de saúde.
Reunião discutia direito a transporte gratuito
Segundo Fernando, ele compareceu à reunião para representar o companheiro, que não poderia participar devido a uma recomendação médica. O encontro teria como objetivo discutir problemas relacionados à utilização gratuita do transporte disponibilizado pela cooperativa.
Durante a reunião, conforme o depoimento da vítima, foram apresentados documentos médicos que comprovariam a condição de pessoa com deficiência de Gabriel. Fernando também afirmou que informou durante a conversa que buscaria seus direitos por meio da Justiça.
O homem relatou ainda que estava utilizando o celular para gravar a conversa durante o encontro.
Vítima diz que foi atacada após sair da reunião
Ainda de acordo com o relato registrado no boletim de ocorrência, após o encerramento da reunião, quando já deixava as dependências da cooperativa, Fernando afirma que foi abordado pelas costas por um indivíduo que não conhecia.
A vítima relatou ter recebido um golpe nas costas, caído no chão e, posteriormente, sido atingida com um soco na região da boca. Fernando afirmou que não consegue se lembrar com precisão de todos os detalhes da sequência da agressão.
Ele também declarou que seu telefone celular foi tomado e quebrado durante o episódio. Segundo o depoimento, documentos e laudos médicos relacionados ao tratamento do companheiro também teriam ficado com o agressor.
Fernando afirmou ainda que acredita que a tentativa de tomar o aparelho estaria relacionada ao fato de ele estar gravando a conversa realizada durante a reunião.
Vítima relata discriminação
Além da agressão física, Fernando relatou à Polícia Civil que teria sido alvo de uma manifestação que considerou discriminatória em razão de sua orientação sexual durante a reunião.
Por causa das circunstâncias do episódio, a vítima afirma que o caso deve ser apurado também sob a possibilidade de tentativa de homicídio, lesão corporal com agravantes e discriminação.
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Essas qualificações, entretanto, são apresentadas pela própria vítima e deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação, a partir dos elementos reunidos no procedimento.
Laudo aponta múltiplas fraturas no rosto
Um dos documentos apresentados no caso é um Laudo de Diagnóstico e Sequela Anatômico-Funcional para Fins Judiciais, elaborado após avaliações clínicas e exames de imagem.
O documento afirma que Fernando apresenta sequelas anatômico-funcionais decorrentes de severo traumatismo maxilofacial secundário a agressão física externa.
De acordo com o laudo, exames identificaram fraturas faciais múltiplas e complexas, incluindo fratura cominutiva e levemente desalinhada do corpo da mandíbula, fratura do processo da mandíbula, fratura com leve afundamento do arco zigomático e sinais de fratura em outra região da face.
O documento também descreve assimetria facial estrutural, desvio da linha média mandibular, alteração da relação entre as estruturas da face e protrusão mandibular.
Outro problema apontado é o colapso da dimensão vertical da oclusão, que provocou redução acentuada da altura da parte inferior do rosto e perda de suporte dos lábios e tecidos moles.
Documento aponta comprometimento severo da mastigação
O laudo também descreve impotência funcional mastigatória severa, com perda da capacidade oclusal e mastigatória funcional.
Segundo o documento, há comprometimento do processo alveolar e perda de elementos de suporte, resultando em grande dificuldade para triturar alimentos sólidos, além de uma discrepância vertical considerada significativa.
O profissional responsável pelo laudo classificou o quadro como de alta complexidade e apontou a necessidade de avaliação especializada na área de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial.
O documento também afirma que determinados procedimentos de reabilitação oral, incluindo intervenções com implantes osteointegrados ou enxertia, não seriam indicados naquele momento, sendo necessário respeitar um período mínimo para reparação e remodelamento ósseo.
Câmeras podem auxiliar investigação
No boletim de ocorrência, Fernando informou que o local onde ocorreu o episódio possui câmeras de segurança internas, que, segundo ele, podem contribuir para esclarecer a dinâmica da agressão e identificar a participação de cada pessoa envolvida.
Após o registro da ocorrência, equipes policiais realizaram diligências e buscaram informações no local. Pessoas relacionadas à cooperativa também foram ouvidas durante o procedimento.
A vítima afirmou que deseja que os responsáveis sejam criminalmente responsabilizados.
Caso segue sob apuração
O boletim de ocorrência registra inicialmente o caso como lesão corporal dolosa. Já as alegações de tentativa de homicídio, lesão corporal com agravantes e discriminação deverão ser avaliadas pelas autoridades competentes conforme o avanço da investigação e a análise das provas.
O laudo apresentado no procedimento confirma a existência de lesões e sequelas maxilofaciais importantes, enquanto a investigação deverá esclarecer as circunstâncias da agressão, a participação de cada envolvido e a eventual motivação do ataque.
O Portal Itapipoca ressalta que as informações sobre a dinâmica da agressão e a possível participação de terceiros são baseadas nos relatos apresentados pela vítima e nos documentos policiais e periciais analisados. A existência de uma denúncia ou investigação não representa, por si só, condenação ou comprovação definitiva de responsabilidade criminal.
Empresa foi procurada
O Portal Itapipoca procurou a empresa responsável pela cooperativa para apresentar os relatos contidos na ocorrência e buscar um posicionamento sobre o caso. No entanto, até a publicação desta matéria, não foi possível estabelecer contato.
O espaço permanece aberto para esclarecimentos e para que a empresa possa apresentar sua versão sobre os fatos relatados. Caso haja manifestação, o posicionamento poderá ser acrescentado ou atualizado nesta reportagem.



