Câncer de mama também atinge homens e é diagnosticado em estágios avançados em quase 62% dos casos

Levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia identificou 2.126 registros da doença em homens entre 2020 e 2023; especialistas alertam para a importância de reconhecer os sintomas e buscar atendimento médico precoce.

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Embora seja mais frequente entre as mulheres, o câncer de mama também pode afetar os homens e, muitas vezes, é identificado quando a doença já está em estágio avançado. O alerta é da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), que reforça a importância da informação e da prevenção durante a campanha Outubro Rosa.

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Um levantamento realizado pela entidade, com base nos Registros Hospitalares de Câncer (RHC), do Instituto Nacional de Câncer (Inca), contabilizou mais de 163 mil registros de câncer de mama no Brasil entre 2020 e 2023. Desse total, 2.126 casos foram identificados em homens, o equivalente a aproximadamente 1,3% dos registros analisados.

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A dimensão do problema também aparece nas projeções nacionais. Segundo estimativas do Inca, o Brasil deverá registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Desse número, cerca de 78,6 mil correspondem ao câncer de mama, que representa aproximadamente 10% dos novos diagnósticos estimados anualmente no país.

Entre as mulheres, a doença é o tipo de câncer mais incidente, desconsiderados os tumores de pele não melanoma, e corresponde a cerca de 30% dos novos casos estimados.

Homens chegam ao diagnóstico com a doença mais avançada

Os dados da SBRT apontam que os estágios mais avançados do câncer de mama concentram uma parcela expressiva dos diagnósticos tanto em homens quanto em mulheres. No público masculino, 62,29% dos casos com estadiamento informado estavam nos estágios III ou IV. Entre as mulheres, esse percentual foi de 61,57%.

A diferença mais significativa aparece no estágio IV, quando o câncer apresenta metástase, ou seja, quando a doença se espalha para outras partes do organismo. Nessa fase, estavam 29,95% dos homens diagnosticados, contra 26,42% das mulheres.

Já no estágio I, considerado uma fase inicial do câncer invasivo, a proporção foi de 3,41% entre os homens e de 5,45% entre as mulheres.

Para Wilson José de Almeida Jr., radio-oncologista e presidente da SBRT, é fundamental ampliar o conhecimento da população sobre a possibilidade de desenvolvimento da doença no público masculino.

Segundo o especialista, o câncer de mama também pode ser fatal entre os homens, principalmente quando o diagnóstico ocorre tardiamente.

Caroço e alterações no mamilo exigem atenção

O desconhecimento sobre a ocorrência do câncer de mama em homens é apontado como um dos fatores que contribuem para a demora na procura por atendimento médico.

De acordo com Denise Ferreira, radio-oncologista e diretora de comunicação da SBRT, os homens podem demorar a investigar alterações na região do peito por não associarem esses sinais à possibilidade de câncer.

A médica explica que, como o tecido mamário masculino é menos volumoso, o tumor pode alcançar estruturas próximas, como a pele e os músculos da região torácica, mesmo quando ainda apresenta dimensões pequenas.

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Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Aparecimento de caroço ou nódulo na mama;
  • Alterações na aparência ou no formato do mamilo;
  • Saída de secreção pelo mamilo, especialmente quando contém sangue;
  • Mudanças na pele da região mamária.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que exista um tumor maligno, mas deve ser avaliada por um profissional de saúde.

Embora represente menos de 1% dos casos de câncer de mama, a doença exige atenção também entre os homens. O risco pode ser influenciado por fatores como histórico familiar, mutações genéticas hereditárias, obesidade e alterações hormonais.

Cirurgia e radioterapia estão entre as opções de tratamento

O tratamento do câncer de mama masculino segue princípios semelhantes aos utilizados nos casos diagnosticados em mulheres. Quando a doença está localizada, a cirurgia costuma ser uma das principais abordagens terapêuticas.

Conforme as características do tumor e o estágio em que ele é identificado, o tratamento também pode incluir hormonioterapia, quimioterapia e radioterapia.

A radioterapia pode ser indicada, especialmente após a cirurgia, para diminuir o risco de recorrência do câncer na região tratada. A escolha depende de fatores como a extensão da doença e as condições clínicas de cada paciente.

De acordo com Denise Ferreira, os avanços nas técnicas de radioterapia permitem direcionar o tratamento com maior precisão, buscando preservar os tecidos saudáveis próximos à área afetada.

A médica ressalta ainda que as perspectivas de recuperação variam conforme o estágio do câncer no momento do diagnóstico, as características do tumor e a resposta ao tratamento. Por isso, a identificação precoce dos sinais da doença é fundamental para ampliar as possibilidades terapêuticas.

Diagnóstico precoce também é importante entre mulheres jovens

O alerta sobre a identificação tardia do câncer de mama também envolve mulheres com menos de 40 anos. Um levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), baseado nos Registros Hospitalares de Câncer, analisou quase 118 mil mulheres diagnosticadas entre 2020 e 2023.

Entre as pacientes com até 39 anos, 14,4% receberam o diagnóstico nos estágios 0 ou I. Os outros 85,6% estavam nos estágios II, III ou IV.

Os números, no entanto, não significam que todos esses casos fossem avançados. O estágio II pode abranger tumores ainda considerados iniciais, dependendo de suas características e da extensão da doença.

Para mulheres sem fatores conhecidos que elevem significativamente o risco de câncer de mama, sociedades médicas brasileiras recomendam a realização de mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos. Já aquelas com risco aumentado, como portadoras de determinadas alterações genéticas hereditárias ou com histórico familiar relevante, podem precisar iniciar o acompanhamento mais cedo, conforme orientação médica.

Juliano Rodrigues Cunha, cirurgião oncológico, mastologista e diretor de Comunicação da SBCO, destaca que a investigação de alterações persistentes nas mamas não deve ser adiada apenas porque a mulher ainda não atingiu a idade indicada para o rastreamento de rotina.

Informação e atenção aos sinais são fundamentais

Os dados reforçam a importância de ampliar a conscientização sobre o câncer de mama durante o Outubro Rosa, incluindo a população masculina nas ações de informação e orientação.

Apesar de ser raro entre os homens, o tumor pode evoluir e comprometer estruturas próximas quando não é identificado precocemente. Por isso, reconhecer mudanças na região mamária e procurar avaliação médica são medidas importantes para evitar atrasos no diagnóstico.

Para mulheres e homens, a atenção aos sinais do corpo e o acesso oportuno aos serviços de saúde continuam sendo fundamentais para aumentar as possibilidades de tratamento e melhorar os resultados diante da doença.

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