Uma doação de sangue realizada no Ceará foi fundamental para o tratamento de um paciente de 63 anos internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Após passar por um transplante de rim, o homem apresentou anemia grave e precisou receber sangue com características extremamente raras, cuja compatibilidade foi identificada em apenas seis pessoas cadastradas em todo o Brasil.
Para que a doação chegasse ao destino, foi organizada uma operação de transporte que percorreu mais de 2 mil quilômetros entre o Ceará e Minas Gerais. A bolsa de sangue foi levada de avião até o Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e depois seguiu de carro por aproximadamente 300 quilômetros até Juiz de Fora.
Segundo a assessoria da Santa Casa, a transfusão foi realizada na tarde de sexta-feira (9), conforme o planejamento da equipe médica.
Doador foi localizado em cadastro nacional
A necessidade da transfusão foi identificada pela equipe técnica da Agência Transfusional da Santa Casa durante os exames preparatórios do paciente. Apesar de estar clinicamente estável, ele apresentava níveis baixos de hemoglobina, o que tornou necessária a busca por um doador com características sanguíneas específicas.
Diante da dificuldade de encontrar sangue compatível, a solicitação foi encaminhada ao Ministério da Saúde na quarta-feira (7), para consulta ao cadastro nacional de doadores raros, que reúne 2.032 pessoas.
A pesquisa apontou apenas seis possíveis doadores em todo o país. Um deles foi localizado no Ceará e recebeu o contato da equipe responsável por volta das 22h da quarta-feira. O voluntário confirmou que poderia realizar a doação, e sua identidade foi mantida em sigilo.
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Entenda por que a doação era tão rara
Os exames realizados no paciente identificaram anticorpos contra o antígeno Jsb, uma estrutura presente na superfície das hemácias, as células vermelhas do sangue.
Como esse marcador é encontrado na maioria das pessoas, a compatibilidade se torna mais difícil. O paciente precisa receber sangue de um doador cujas hemácias não apresentem o antígeno Jsb, evitando que os anticorpos de seu organismo reajam contra as células transfundidas.
Por esse motivo, a localização de um doador compatível foi essencial para viabilizar o procedimento com segurança.
Doação saiu do Ceará e chegou a Minas Gerais de avião e carro
Na manhã de quinta-feira (8), o doador compareceu ao hemocentro cearense para realizar a coleta. A equipe repetiu os testes para confirmar a compatibilidade e agilizou os exames necessários para descartar doenças como HIV e hepatites B e C.
Às 18h do mesmo dia, a bolsa de sangue embarcou em um voo comercial, sob os cuidados necessários para o transporte do material biológico.
O sangue chegou ao Aeroporto de Confins no início da manhã de sexta-feira (9). Em seguida, foi transportado por via terrestre até Juiz de Fora, onde a equipe hospitalar aguardava a chegada do material para realizar a transfusão.
De acordo com a assessoria da Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, o procedimento ocorreu durante a tarde, conforme o previsto.
O caso destaca a importância da doação de sangue e dos cadastros de doadores raros, que permitem localizar voluntários com características específicas e atender pacientes que dependem de transfusões de difícil compatibilidade.



