A escalada do conflito no Oriente Médio tem provocado forte instabilidade nos mercados globais de energia e acendeu o alerta para um possível disparo histórico no preço do petróleo. Autoridades iranianas afirmaram que o barril pode chegar a US$ 200, caso a crise na região continue se agravando.
A tensão se intensificou após ataques aéreos realizados por forças dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos nas últimas semanas. Desde então, o confronto já deixou cerca de 2 mil mortos, a maioria no Irã e no Líbano, além de ampliar a instabilidade em rotas estratégicas para o comércio internacional.
Nesta quarta-feira (11), o Irã voltou a demonstrar capacidade de reação militar ao lançar ataques contra alvos israelenses e posições no Oriente Médio, enquanto também atingiu embarcações comerciais no Golfo Pérsico. Segundo a Guarda Revolucionária iraniana, os navios foram alvo após ignorarem ordens emitidas por forças militares do país.
Relatos indicam que três embarcações foram atingidas nas águas da região, elevando para 14 o número de navios mercantes atacados desde o início do conflito. Entre eles estão um navio graneleiro de bandeira tailandesa, que pegou fogo após o ataque e teve parte da tripulação retirada, além de um porta-contêineres japonês e um cargueiro registrado nas Ilhas Marshall.
Estreito estratégico sob ameaça
A escalada militar também coloca em risco o trânsito pelo Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. Aproximadamente 20% da produção global passa pela região.
Fontes indicam que minas marítimas teriam sido posicionadas no canal, dificultando a navegação e ampliando os temores de interrupção no fornecimento mundial de energia.
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Diante do cenário, a Agência Internacional de Energia recomendou uma medida emergencial: a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais, na tentativa de conter a disparada nos preços. A iniciativa seria a maior intervenção desse tipo já realizada.
Mercados reagiram com alta
O impacto da crise já foi sentido nas bolsas internacionais. O preço do petróleo, que chegou a se aproximar de US$ 120 por barril no início da semana, voltou a subir após um breve recuo, com alta de cerca de 5% diante do temor de interrupções no abastecimento.
Enquanto isso, os principais índices da bolsa de Nova York registraram queda, refletindo a preocupação de investidores com os efeitos econômicos do conflito.
Declarações e ameaças
Autoridades iranianas afirmaram que pretendem provocar um impacto econômico prolongado. O porta-voz do comando militar do país, Ebrahim Zolfaqari, afirmou que o aumento do preço do petróleo seria consequência direta da instabilidade regional.
Segundo ele, o mercado internacional deve se preparar para valores muito mais altos no barril de petróleo caso a guerra se intensifique.
O governo dos Estados Unidos também alertou para possíveis ataques contra infraestrutura energética americana no Oriente Médio, especialmente no Iraque, onde milícias alinhadas ao Irã já teriam realizado ações contra locais frequentados por cidadãos norte-americanos.
Conflito sem prazo para terminar
Do lado israelense, autoridades indicam que a campanha militar continuará por tempo indeterminado. O ministro da Defesa de Israel declarou que as operações seguirão “pelo tempo que for necessário” até que todos os objetivos estratégicos sejam alcançados.
Apesar das pressões internacionais por um cessar-fogo, novos bombardeios e ataques com drones continuam sendo registrados em diversas áreas da região, aumentando o temor de uma guerra prolongada com impactos globais na economia e no abastecimento de energia.



