As contas do Governo Central fecharam julho de 2026 com superávit primário de R$ 10,8 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Tesouro Nacional. O resultado considera as receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida pública.
O Governo Central é formado pelo Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central. No mesmo mês de 2025, as contas haviam registrado um déficit de R$ 59,1 bilhões.
O desempenho de julho também ficou acima das expectativas do mercado financeiro. De acordo com o Prisma Fiscal, levantamento divulgado mensalmente pelo Ministério da Fazenda, as instituições financeiras projetavam um déficit de aproximadamente R$ 5,5 bilhões para o período.
Julho costuma apresentar um desempenho mais favorável para as contas públicas devido ao calendário de arrecadação. Entre os fatores que contribuem para isso está o pagamento trimestral do Imposto de Renda por instituições financeiras.
Resultado acumulado ainda é deficitário
Apesar do superávit registrado em julho, o resultado acumulado nos primeiros sete meses de 2026 continua negativo.
Entre janeiro e julho, o Governo Central acumula déficit primário de R$ 81,3 bilhões. Em valores nominais, o resultado representa uma alta de 15,6% em relação ao mesmo período anterior. Considerando a inflação, o aumento real do déficit é de 12,4%.
No período de 12 meses encerrado em julho, o déficit acumulado chega a R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).
Tesouro tem saldo positivo, enquanto Previdência registra déficit
O resultado de julho foi formado por desempenhos distintos entre os órgãos que integram o Governo Central.
O Tesouro Nacional apresentou superávit de R$ 33,3 bilhões. Já a Previdência Social registrou déficit de R$ 22,2 bilhões, enquanto o Banco Central teve resultado negativo de R$ 302 milhões.
No acumulado de janeiro a julho, o Tesouro Nacional registra superávit de R$ 177,7 bilhões. A Previdência Social, por outro lado, acumula déficit de R$ 258,4 bilhões, enquanto o Banco Central apresenta resultado negativo de R$ 627 milhões.
Receita cresce em julho
A receita líquida do Governo Central somou R$ 226,3 bilhões em julho, representando crescimento real de 7,7% em relação ao mesmo mês de 2025.
Segundo o Tesouro Nacional, o aumento foi influenciado principalmente pela maior arrecadação do Imposto de Renda, pelo crescimento das receitas previdenciárias e pelo avanço das receitas relacionadas à exploração de recursos naturais.
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A arrecadação previdenciária foi beneficiada pelo aumento do emprego formal, que atingiu níveis recordes. Já as receitas provenientes da exploração de recursos naturais foram favorecidas pela valorização do petróleo após o agravamento do cenário no Oriente Médio.
Despesas têm queda
As despesas totais do Governo Central ficaram em R$ 215,5 bilhões em julho, uma redução real de 20,7% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
Um dos principais fatores para a queda foi a redução dos pagamentos de precatórios, que são dívidas reconhecidas pela Justiça por meio de decisões definitivas.
Parte desses pagamentos foi antecipada durante o primeiro semestre, diminuindo o volume desembolsado pelo governo em julho.
No acumulado do ano, as receitas líquidas somam R$ 1,499 trilhão, enquanto as despesas chegam a R$ 1,580 trilhão.
Investimentos crescem no acumulado do ano
Apesar da queda das despesas totais em julho, os investimentos públicos apresentam crescimento expressivo quando considerado o acumulado de 2026.
Em julho, foram investidos R$ 6,7 bilhões, uma redução real de 29,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
De janeiro a julho, porém, os investimentos chegaram a R$ 56,5 bilhões, alta real de 42,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Meta fiscal de 2026
A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, o equivalente a 0,25% do PIB.
Existe, entretanto, uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o que permite que o resultado seja considerado dentro da meta mesmo que o governo termine o ano com superávit primário próximo de zero.
As metas estabelecidas pelo arcabouço fiscal excluem do cálculo determinados pagamentos de precatórios e algumas despesas relacionadas às áreas de saúde, educação e defesa.
Quando esses gastos são considerados, a previsão para o resultado primário de 2026 passa a ser de déficit de R$ 52 bilhões.
O resultado primário é um dos principais indicadores utilizados para acompanhar a situação das contas públicas. Um superávit ocorre quando as receitas superam as despesas consideradas no cálculo, enquanto o déficit acontece quando os gastos ficam acima da arrecadação. Os juros pagos sobre a dívida pública não são incluídos nesse resultado.



