O fenômeno El Niño está consolidado e deve ganhar ainda mais força nos próximos meses, podendo atingir intensidade considerada “muito forte”. A projeção foi divulgada nesta quinta-feira (3) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), que também estima uma probabilidade próxima de 100% de que o fenômeno permaneça ativo até fevereiro de 2027.
De acordo com a organização, o fortalecimento do El Niño deverá provocar mudanças significativas nos padrões de temperatura e precipitação em diversas partes do planeta. Entre os possíveis impactos estão o aumento do risco de secas, inundações, incêndios florestais e episódios de calor extremo.
As previsões sazonais elaboradas pelos centros globais de produção da OMM apontam uma probabilidade “excepcionalmente elevada” de continuidade do fenômeno até fevereiro do próximo ano.
Temperaturas do Pacífico continuam subindo
Os sinais de intensificação do El Niño são observados principalmente nas águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental. Segundo a OMM, as temperaturas nessa região já estão significativamente acima da média histórica.
Entre maio e julho de 2026, a temperatura da superfície do mar ficou, em média, 1,5°C acima do normal. Em julho, a diferença chegou a 2°C.
Entre o fim de julho e meados de agosto, foram registradas temperaturas entre 2,2°C e 2,6°C acima da média em determinados períodos, o que, segundo a organização, demonstra o contínuo fortalecimento do fenômeno.
As alterações também são verificadas nas camadas inferiores do oceano. Durante julho e o início de agosto, algumas áreas apresentaram temperaturas mais de 0,8°C superiores à média.
Fenômeno pode alterar o clima em várias regiões
O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre, geralmente, em intervalos de dois a sete anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental.
Esse aquecimento interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de vento, pressão e precipitação em diferentes regiões do planeta.
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Os efeitos variam de acordo com cada episódio. Historicamente, o fenômeno esteve associado ao agravamento de períodos de seca e do risco de incêndios em áreas da Amazônia, América Central, Indonésia e Austrália.
Em outras partes do mundo, o El Niño pode provocar alterações nas monções da Índia e favorecer episódios de chuvas intensas na África Oriental.
ONU destaca cenário de temperaturas elevadas
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, também comentou a intensificação prevista para os próximos meses. Segundo ele, o fenômeno ocorre em um contexto de temperaturas globais elevadas e maior ocorrência de eventos climáticos extremos.
Guterres afirmou que o planeta está entrando em uma situação de riscos crescentes devido ao aquecimento das temperaturas e defendeu que países estejam preparados para lidar com os impactos associados ao El Niño.
Para o período entre setembro e novembro de 2026, as projeções da OMM indicam maior probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as áreas continentais.
Os modelos também apontam para mudanças nos padrões de precipitação compatíveis com uma resposta atmosférica forte ao El Niño no Pacífico.
Aquecimento global pode ampliar os efeitos
Embora seja um fenômeno natural, o El Niño ocorre atualmente em meio às mudanças climáticas provocadas principalmente pelas atividades humanas. Segundo a OMM, essa combinação pode contribuir para agravar determinados eventos extremos.
O comportamento do fenômeno também é acompanhado devido aos possíveis efeitos sobre a temperatura média global.
No período posterior a um El Niño, parte do calor armazenado nos oceanos é liberada para a atmosfera, o que normalmente contribui para uma elevação das temperaturas globais.
Com base nesse padrão, pesquisadores do clima avaliam que 2027 poderá alcançar um novo recorde de temperatura média global.
O atual recorde pertence a 2024, ano que também foi marcado pela influência de um episódio de El Niño.



