Durante um programa de rádio transmitido na manhã do último sábado (31), o padre Aureliano fez um desabafo público ao comentar um episódio ocorrido em 2023 que, segundo ele, marcou profundamente sua vida pessoal e o exercício de seu ministério em Itapipoca. A manifestação aconteceu nos minutos finais da atração, enquanto o sacerdote interagia com ouvintes e enviava alôs à audiência.
Em tom exaltado, o padre criticou o uso de meios de comunicação e das redes sociais para expor pessoas em situações delicadas, afirmando que houve julgamento precipitado e má-fé na forma como o episódio foi tratado à época. Sem citar nomes, ele fez referência direta a páginas e pessoas que, segundo suas palavras, utilizaram a comunicação para causar danos morais.
“Aqui em Itapipoca tem um bocado de infeliz que pensa que faz o mal aos outros. Quem planta o mal colhe a tempestade. Um dia Deus manda a testeira aí pra vocês que usam o meio de comunicação para fazer o mal”, declarou o sacerdote ao vivo.
Na sequência, o padre afirmou que gostaria de confrontar pessoalmente um dos responsáveis pela divulgação do conteúdo que o expôs. “Tem um infeliz aqui que eu queria encontrar com ele, nós dois, de testa, pra eu dizer a ele o bem que eu gosto dele. É um rapazinho que eu não dou nada por ele, porque ele não presta, literalmente”, disse.
O sacerdote também mencionou, ainda sem identificar diretamente, um meio de comunicação envolvido no episódio. “Tem um meio de comunicação aí que é inclusive de um outro infeliz que também não presta. Os camaradas são casados um com o outro — e não estou falando isso porque são casados, é porque eles não prestam mesmo”, afirmou.
Encerrando o desabafo, o padre declarou que, apesar do sofrimento causado, o episódio acabou tendo um efeito contrário ao esperado por quem divulgou o vídeo. “Eles fizeram um mal grande a mim, mas estão enganados, porque o mal que fizeram foi aumentar a minha popularidade. Bando de infelizes”, concluiu.
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As declarações repercutiram rapidamente nas redes sociais e reacenderam discussões sobre um caso que, do ponto de vista institucional, já havia sido esclarecido há quase três anos, mas que continuou sendo lembrado e comentado ao longo do tempo.
Relembre o caso
O episódio mencionado pelo sacerdote ocorreu em 15 de setembro de 2023, quando um vídeo gravado durante uma celebração religiosa na Paróquia Jesus Cristo Redentor, no bairro Violete, passou a circular nas redes sociais. A gravação, divulgada por uma página local, deu margem à interpretação de que o padre estaria sob efeito de bebida alcoólica enquanto presidia a missa, o que gerou grande repercussão e uma série de comentários nas plataformas digitais.
Diante da situação, a Diocese de Itapipoca divulgou, ainda em 2023, uma nota oficial para esclarecer os fatos. Na ocasião, a instituição informou que o sacerdote havia sido vítima de uma reação adversa a medicamentos, que lhe causou transtornos neurocognitivos temporários, descartando qualquer relação com consumo de álcool.
Na mesma nota, a Diocese agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas e pediu orações pelo completo restabelecimento do padre, além de reforçar a importância da prudência, da empatia e da responsabilidade na divulgação de conteúdos envolvendo a saúde e a dignidade das pessoas.
Mesmo após o esclarecimento oficial, o episódio seguiu sendo lembrado nas redes sociais, situação que, segundo o próprio sacerdote, contribuiu para o sofrimento relatado agora, em 2026. O desabafo evidencia que os efeitos da exposição indevida ultrapassaram o momento inicial da divulgação e continuam repercutindo anos depois.
O caso reacende o debate sobre os limites da comunicação, o dever de apuração jornalística e o impacto duradouro que publicações sem confirmação oficial podem causar, especialmente em contextos locais, onde a repercussão tende a ser ainda mais intensa.



