El Niño avança no Pacífico e pode figurar entre os mais intensos das últimas décadas

Fenômeno climático já está presente no Oceano Pacífico e tem elevada probabilidade de ganhar força até o início de 2027.

Portal Itapipoca Portal Itapipoca
5 minuto(s) de leitura
- PUBLICIDADE -

As condições de El Niño já estão oficialmente estabelecidas no Oceano Pacífico Equatorial e apresentam sinais de fortalecimento para os próximos meses. A informação consta em atualização divulgada nesta quinta-feira (11) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que aponta uma probabilidade de 63% de o fenômeno atingir categoria muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Caso as projeções se confirmem, o episódio poderá ficar entre os mais intensos registrados desde o início do monitoramento moderno, na década de 1950.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Os dados mais recentes indicam que o aquecimento das águas superficiais do Pacífico central e leste se intensificou nas últimas semanas. O índice Niño 3.4, principal parâmetro utilizado para monitorar o fenômeno, alcançou 0,7°C acima da média climatológica. Em algumas áreas mais orientais do oceano, as anomalias de temperatura já chegam a 2,1°C.

Segundo o diretor técnico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Francisco Vasconcelos Júnior, a evolução observada atualmente demonstra que não apenas o oceano está aquecendo, mas também que a atmosfera já responde de forma significativa ao fenômeno.

De acordo com o especialista, em maio a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 ficou praticamente no limite utilizado internacionalmente para caracterizar o El Niño. No entanto, ele destaca que a resposta atmosférica tem sido ainda mais relevante do que o próprio aquecimento observado na superfície do oceano.

Um dos principais indicadores dessa resposta é o Índice de Oscilação Sul (SOI), que mede a diferença de pressão atmosférica entre o Taiti, no Pacífico central, e Darwin, no norte da Austrália. Recentemente, o índice atingiu -22,3, valor considerado extremamente negativo e até mais intenso do que os registros observados durante o forte El Niño de 2015-2016.

Para os meteorologistas, esse comportamento indica um forte acoplamento entre oceano e atmosfera, condição essencial para a consolidação e fortalecimento do fenômeno climático.

Apesar de o aquecimento superficial ainda ser classificado como relativamente fraco, os especialistas observam uma grande quantidade de calor armazenada abaixo da superfície do Pacífico Equatorial, principalmente nas porções central e leste do oceano.

Segundo Francisco Vasconcelos Júnior, essa reserva de energia está gradualmente emergindo para as camadas superficiais, contribuindo para o avanço do aquecimento e aumentando as chances de intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre.

“Temos uma grande quantidade de energia acumulada na subsuperfície do Pacífico que está emergindo gradualmente para a superfície. Esse comportamento não era observado com tanta intensidade desde 2016”, explicou o pesquisador.

A NOAA também destaca que os padrões atmosféricos observados nas últimas semanas são típicos de episódios de El Niño. Entre eles estão ventos anômalos de oeste próximos à superfície do oceano, ventos de leste em níveis mais elevados da atmosfera e aumento da atividade convectiva sobre o Pacífico central.

Os modelos climáticos utilizados pelos principais centros meteorológicos internacionais convergem para um cenário de fortalecimento contínuo nos próximos meses. As projeções indicam mais de 60% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade moderada entre julho e setembro. Já para o período entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, as chances de um El Niño forte ultrapassam 80%.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Embora eventos intensos não provoquem exatamente os mesmos impactos em todas as regiões do planeta, eles costumam aumentar significativamente a probabilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura observados historicamente durante episódios de El Niño.

Diante da rápida evolução do sistema oceano-atmosfera, a Funceme informou que seguirá acompanhando semanalmente os indicadores climáticos e divulgando atualizações sobre a evolução do fenômeno.

Segundo Francisco Vasconcelos Júnior, os sinais observados atualmente apontam para uma transição clara para condições de El Niño, reforçando a importância do monitoramento contínuo e da análise permanente dos dados climáticos nos próximos meses.

Compartilhe
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

- Advertisement -