Pesquisa revela que 39% dos brasileiros nunca ouviram falar sobre economia circular, apesar do avanço da reciclagem

Levantamento aponta que maioria da população está disposta a reduzir a geração de resíduos, mas conhecimento sobre práticas sustentáveis ainda é limitado.

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Uma pesquisa nacional revelou que o conceito de economia circular ainda é desconhecido por uma parcela significativa da população brasileira. De acordo com o levantamento “Reciclagem no Brasil: Hábitos, Desafios e Percepções da População”, realizado pelo Instituto QualiBest a pedido do Movimento Plástico Transforma, 39% dos brasileiros afirmam nunca ter ouvido falar sobre o tema.

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Embora 57% dos entrevistados tenham declarado já conhecer ou ao menos ouvir falar em economia circular, o estudo mostra que o entendimento ainda é superficial. Apenas 12% disseram conhecer bem o conceito, enquanto 45% afirmaram já ter escutado o termo, mas sem domínio sobre seu significado ou aplicação.

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A economia circular é um modelo de produção e consumo baseado na reutilização, recuperação e reinserção de materiais na cadeia produtiva, reduzindo o desperdício e prolongando o ciclo de vida dos recursos. O sistema se apresenta como uma alternativa ao modelo linear tradicional, no qual os produtos são fabricados, utilizados e posteriormente descartados.

Para a integrante do grupo técnico do Movimento Plástico Transforma, Beatriz Geraldes, ampliar o conhecimento da população sobre o tema é um dos principais desafios para fortalecer práticas sustentáveis no país.

Segundo ela, o envolvimento de escolas, governos, empresas e organizações da sociedade civil é fundamental para ampliar a conscientização, especialmente entre crianças e adolescentes, considerados importantes agentes multiplicadores de informação dentro das famílias e das comunidades.

O levantamento ouviu 834 brasileiros com 18 anos ou mais entre os dias 30 de abril e 8 de maio de 2026. Os resultados também foram comparados com a edição anterior da pesquisa, realizada em 2025.

Os dados apontam ainda que 74% dos entrevistados demonstram disposição para mudar hábitos de consumo com o objetivo de reduzir a produção de resíduos. Outros 3% disseram que talvez adotassem mudanças, enquanto 23% afirmaram não ter interesse em alterar seus hábitos.

Quando questionados sobre quem é responsável pela reciclagem, a maioria considera que essa tarefa deve ser compartilhada. A população foi apontada como principal responsável por 78% dos participantes, seguida pelo governo (63%) e pelas empresas (55%). Em comparação com a pesquisa de 2025, aumentou a cobrança tanto da sociedade quanto do poder público e do setor empresarial em relação à gestão dos resíduos.

As escolas também foram lembradas por 35% dos entrevistados como agentes importantes na educação ambiental. Já 30% atribuíram responsabilidades às organizações não governamentais, enquanto 3% citaram outros setores.

A pesquisa também avaliou o comportamento dos brasileiros em relação à logística reversa, sistema que permite devolver produtos após o uso para reaproveitamento ou reciclagem. O estudo mostrou que 42% dos participantes já devolveram algum produto ao fabricante ou a pontos de coleta específicos, sendo que 14% realizam essa prática com frequência.

Outro dado relevante é que 55% dos entrevistados afirmaram ter acesso à coleta seletiva em suas residências ou nas proximidades. Entre aqueles que separam os resíduos, mas não os levam a pontos específicos de reciclagem, 63% informaram entregar materiais recicláveis e orgânicos juntos ao caminhão de coleta, enquanto 36% fazem a destinação separada diretamente para catadores.

O levantamento também revelou um cenário de confiança em relação ao processo de reciclagem. Mais da metade dos brasileiros (54%) acredita que os resíduos separados são efetivamente reciclados, enquanto apenas 6% disseram não confiar na destinação correta desses materiais.

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Para a gerente de pesquisa do Instituto QualiBest, Marlene Treuk, os resultados indicam que o país vem avançando na conscientização ambiental. Apesar de o conhecimento sobre economia circular ainda precisar ser aprofundado, ela avalia que já existe uma percepção crescente sobre a importância da reciclagem e uma maior disposição da população para adotar hábitos mais sustentáveis no dia a dia.

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