Baixa adesão à vacina contra a covid preocupa especialistas cinco anos após início da imunização no Brasil

Mesmo fora do status de pandemia, vírus segue provocando internações e mortes, enquanto milhões de doses deixam de ser aplicadas no país.

Portal Itapipoca Portal Itapipoca
7 minuto(s) de leitura
- PUBLICIDADE -

Cinco anos depois do início da vacinação contra a covid-19 no Brasil, a pandemia ficou para trás, mas a ameaça do coronavírus ainda está presente. Com circulação contínua do vírus e registros frequentes de casos graves, especialistas em saúde pública reforçam que manter a imunização em dia continua sendo essencial — especialmente entre pessoas não vacinadas e grupos mais vulneráveis a complicações da doença.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Apesar disso, a cobertura vacinal permanece muito abaixo do esperado. Em 2025, o aproveitamento das doses distribuídas pelo Ministério da Saúde foi inferior a 40%. Das 21,9 milhões de vacinas enviadas a estados e municípios, apenas cerca de 8 milhões foram efetivamente aplicadas.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Impactos da baixa cobertura

Dados do sistema Infogripe, da Fundação Oswaldo Cruz, revelam os reflexos diretos dessa baixa adesão. Ao longo de 2025, pelo menos 10.410 pessoas desenvolveram quadros graves de covid-19 no Brasil, resultando em aproximadamente 1,7 mil mortes. Os números consideram apenas casos confirmados por exames laboratoriais e ainda podem crescer, já que há registros inseridos com atraso no sistema nacional de vigilância.

Para o coordenador do Infogripe, Leonardo Bastos, o coronavírus segue entre os agentes respiratórios mais perigosos em circulação. Segundo ele, a redução drástica de casos em comparação ao auge da pandemia criou uma falsa sensação de segurança. “A covid não desapareceu. Continuamos monitorando surtos e avaliando o risco de novas epidemias. Os números atuais de casos graves e óbitos ainda são elevados, mas acabaram sendo normalizados após o período crítico da pandemia”, alerta.

A pesquisadora Tatiana Portella acrescenta que, diferentemente da gripe, a covid-19 não apresenta um padrão sazonal bem definido. “Uma nova onda pode surgir a qualquer momento, especialmente com o aparecimento de variantes mais transmissíveis. Por isso, manter a vacinação atualizada é fundamental”, recomenda.

Desafio maior entre crianças

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de imunização para crianças, idosos e gestantes. Ainda assim, cumprir as metas de cobertura tem sido um grande desafio, sobretudo no público infantil.

Em 2025, cerca de 2 milhões de doses foram aplicadas em crianças, mas o índice de cobertura não foi detalhado oficialmente. Dados do painel público de vacinação indicam que apenas 3,49% das crianças menores de 1 ano receberam a vacina no período. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que esses números não refletem a cobertura total, já que o público-alvo inclui crianças menores de cinco anos, além de gestantes e idosos, e que trabalha na consolidação das informações por faixa etária.

Mesmo durante a emergência sanitária, a meta de 90% de cobertura nunca foi alcançada. Até fevereiro de 2024, apenas 55,9% das crianças de 5 a 11 anos e 23% daquelas entre 3 e 4 anos haviam completado o esquema vacinal.

Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Ballalai, a principal explicação é a queda na percepção de risco. “Quando a vacina chegou para as crianças, o cenário já era de menos casos e menos mortes. Isso abriu espaço para o antivacinismo, que se fortalece quando o perigo deixa de ser visível”, avalia.

Risco real e comprovado

Especialistas ressaltam que a covid-19 ainda representa um risco elevado para crianças pequenas. Menores de 2 anos formam o segundo grupo mais vulnerável às complicações da doença, atrás apenas dos idosos. Entre 2020 e 2025, quase 20,5 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) foram registrados nessa faixa etária, com 801 mortes. Somente no último ano, foram contabilizadas 2.440 internações e 55 óbitos.

Além disso, a infecção pode desencadear a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P), condição rara e grave, com letalidade em torno de 7%. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou cerca de 2,1 mil casos da síndrome, com 142 mortes. Estudos internacionais também apontam maior incidência de problemas cardiovasculares em crianças e adolescentes após a infecção pelo coronavírus.

Por outro lado, a eficácia e a segurança das vacinas são amplamente comprovadas. Um acompanhamento realizado em São Paulo com 640 crianças e adolescentes vacinados com a CoronaVac mostrou que apenas 56 foram infectados posteriormente, sem nenhum caso grave. Entre 2022 e 2023, mais de 6 milhões de doses infantis foram aplicadas no país, com raros eventos adversos, em sua maioria leves.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Isabela Ballalai destaca ainda o papel dos profissionais de saúde na reversão do cenário. Segundo ela, é fundamental investir na formação e atualização médica e fortalecer a recomendação ativa das vacinas às famílias. “A confiança no médico pesa muito. Precisamos garantir que a orientação seja baseada em evidências científicas, não em interesses políticos ou financeiros”, defende.


Quem deve se vacinar contra a covid-19

Bebês

  • 1ª dose aos 6 meses
  • 2ª dose aos 7 meses
  • 3ª dose aos 9 meses (apenas para quem recebeu Pfizer)

Crianças imunocomprometidas

  • 1ª dose aos 6 meses
  • 2ª dose aos 7 meses
  • 3ª dose aos 9 meses (qualquer imunizante)
  • Reforço a cada 6 meses

Crianças indígenas, ribeirinhas, quilombolas ou com comorbidades

  • Esquema básico igual ao das demais crianças
  • Reforço anual

Crianças menores de 5 anos não vacinadas ou com esquema incompleto

  • Devem completar o esquema básico

Gestantes

  • Uma dose em cada gestação

Puérperas (até 45 dias após o parto)

  • Uma dose, se não vacinadas durante a gravidez

Idosos (60 anos ou mais)

  • Uma dose a cada 6 meses

Pessoas imunocomprometidas

  • Uma dose a cada 6 meses

Públicos prioritários (instituições de longa permanência, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, comorbidades, privadas de liberdade, em situação de rua e trabalhadores dos Correios)

  • Uma dose anual

Pessoas de 5 a 59 anos fora dos grupos prioritários e nunca vacinadas

  • Uma dose
Compartilhe
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

- Advertisement -