Os medicamentos conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” vêm ganhando espaço no tratamento da obesidade e podem contribuir de forma significativa para a perda de peso. Apesar dos resultados positivos, especialistas alertam que o uso dessas medicações precisa estar associado a acompanhamento profissional e mudanças nos hábitos alimentares e na rotina de atividades físicas.
Segundo o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), os medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 podem favorecer a deficiência de vitaminas e outros micronutrientes, além de provocar perda excessiva de massa muscular quando utilizados sem acompanhamento adequado.
O efeito dessas medicações sobre o organismo inclui uma redução importante do apetite e um maior tempo para o esvaziamento do estômago. Com isso, alguns pacientes passam a ingerir quantidades muito menores de alimentos e podem deixar de consumir nutrientes essenciais para a manutenção da saúde.
Alimentação precisa ser nutritiva
Para o especialista, o foco durante o tratamento não deve estar somente na redução das porções, mas principalmente na qualidade dos alimentos consumidos.
A orientação é priorizar refeições menores, porém com elevada densidade nutricional, garantindo a ingestão adequada de proteínas, vitaminas e minerais mesmo diante da redução da fome.
A quantidade de proteína também merece atenção. Mancini recomenda uma ingestão aproximada de 1,2 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia para adultos jovens e saudáveis. Para idosos ou pessoas com maior risco de desenvolver sarcopenia, condição caracterizada pela perda de massa muscular, a necessidade pode chegar a cerca de 1,5 grama por quilo diariamente.
Perda de músculos deve ser monitorada
Além do peso corporal, o acompanhamento do tratamento deve considerar a quantidade de massa magra perdida durante o processo de emagrecimento.
Entre os métodos que podem ser utilizados para essa avaliação estão a bioimpedância, realizada em consultórios, e a densitometria de corpo inteiro, disponível em laboratórios. Testes de força de preensão manual, conhecidos como hand grip, também podem ajudar os profissionais a avaliar a função muscular.
De acordo com o endocrinologista, o objetivo é evitar que a perda de massa muscular represente uma parcela excessiva do peso eliminado durante o tratamento.
Veja
Queda de cabelo e sintomas gastrointestinais
A utilização inadequada das chamadas canetas emagrecedoras também pode estar relacionada a diferentes efeitos indesejados. Entre as queixas relatadas estão queda ou afinamento dos cabelos e sintomas gastrointestinais, como náuseas, constipação, gases e sensação de estômago excessivamente cheio.
Algumas medidas podem ajudar a reduzir esses problemas. Entre elas estão distribuir a alimentação em pequenas refeições ao longo do dia, priorizar alimentos ricos em proteínas no início das refeições, evitar preparações muito gordurosas e manter uma ingestão adequada de fibras e líquidos.
Sinais de alerta
Durante o tratamento, alguns sinais devem ser observados com atenção. A redução da força física ou dificuldades para realizar atividades cotidianas podem indicar perda significativa de massa muscular, especialmente entre pessoas idosas.
Alterações em exames laboratoriais também podem apontar para deficiências nutricionais. Entre os nutrientes que devem ser monitorados estão vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12.
Outro sinal de alerta é quando a pessoa passa a restringir excessivamente a alimentação e perde completamente o interesse ou o prazer em comer. Segundo o especialista, essa situação pode indicar que a dose do medicamento está elevada para aquele paciente e precisa ser reavaliada pelo profissional responsável.
Por isso, o tratamento da obesidade com esse tipo de medicamento deve ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais como endocrinologista, nutricionista e educador físico.
Acompanhamento profissional pode fazer diferença
A experiência da mentora de mulheres Amanda Vila Nova mostra que o acompanhamento especializado pode contribuir para um processo de emagrecimento mais seguro. Segundo ela, o tratamento apresentou resultados positivos e foi realizado com suporte profissional.
Amanda afirma que conseguiu emagrecer e melhorar sua qualidade de vida sem apresentar problemas como queda de cabelo ou enfraquecimento das unhas. Ela atribui parte desse resultado ao acompanhamento realizado durante o tratamento e à reposição adequada de vitaminas.
Especialistas reforçam, no entanto, que a resposta aos medicamentos pode variar de pessoa para pessoa. Por isso, as chamadas canetas emagrecedoras não devem ser utilizadas por conta própria, e qualquer tratamento deve ser definido e acompanhado por profissionais de saúde.



