A tensão entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (15), após a Guarda Revolucionária Islâmica afirmar que poderá bloquear outros corredores estratégicos para a exportação de petróleo utilizados por países aliados de Washington. A declaração ocorre em meio ao fechamento do Estreito de Ormuz e ao aumento das operações militares americanas na região.
Em comunicado divulgado pela agência estatal iraniana IRNA, a Guarda Revolucionária afirmou que “as exportações regionais de energia serão compartilhadas por todos ou negadas a todos”, sinalizando que Teerã pode ampliar as restrições ao transporte internacional de petróleo caso o confronto continue se intensificando.
Segundo a força militar iraniana, o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que seja alcançado o que chamou de “fim dos males da América”. Antes do início da guerra, em fevereiro, aproximadamente 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava diariamente pelo estreito, considerado um dos principais corredores marítimos para o comércio global de energia.
Ataques contra bases americanas
A Guarda Revolucionária também afirmou ter realizado ataques contra instalações militares dos Estados Unidos em diferentes países do Oriente Médio. Entre os alvos estariam estruturas ligadas à Quinta Frota da Marinha americana, no Bahrein, além de uma instalação logística em Mina Abdullah, no Kuwait, e uma base militar em Azraq, na Jordânia.
De acordo com o governo iraniano, as ações foram uma resposta aos recentes bombardeios americanos realizados na região do Estreito de Ormuz. O Irã também alegou que parte das ofensivas dos Estados Unidos foi lançada a partir de bases instaladas em território jordaniano.
Até o momento, não houve confirmação independente sobre os danos ou as consequências desses ataques.
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Trégua volta a ser ameaçada
Os confrontos entre os dois países voltaram a se intensificar na última semana, colocando em risco o cessar-fogo firmado em junho, após meses de guerra que deixaram milhares de mortos.
Na terça-feira (14), os Estados Unidos anunciaram uma nova ofensiva militar com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais que cruzam o Estreito de Ormuz. Segundo o Comando Central americano, a operação durou cerca de sete horas e atingiu dezenas de alvos militares em áreas costeiras do Irã e nas proximidades da importante rota marítima.
Washington também informou que, somente na última semana, sete navios mercantes foram atacados na região, deixando tripulantes mortos, desaparecidos e feridos.
Atualmente, pelo menos 19 embarcações de guerra dos Estados Unidos permanecem posicionadas no Mar Arábico, incluindo dois porta-aviões, um navio de assalto anfíbio com mais de mil fuzileiros navais e centenas de aeronaves militares operando em todo o Oriente Médio.
Trump faz novas ameaças
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra Teerã ao afirmar que poderá ordenar ataques contra a infraestrutura energética e de transporte iraniana caso o país não retome as negociações diplomáticas.
Durante entrevista concedida à Fox News, Trump declarou que pretende deixar as instalações de energia “por último”, mas advertiu que elas também poderão ser atingidas, assim como pontes e outras estruturas estratégicas, se não houver avanço nas conversas.
Segundo o presidente americano, representantes dos dois países mantiveram contatos recentes, e Washington deixou claro ao governo iraniano que considera necessário um acordo para evitar uma escalada ainda maior do conflito.
Mercado reage às tensões
A escalada militar também voltou a impactar o mercado internacional de petróleo. O barril do Brent chegou a superar a marca de US$ 87 na terça-feira, impulsionado pelo temor de interrupções no abastecimento global.
Após as declarações de Donald Trump indicando a possibilidade de retomada das negociações, a cotação recuou para cerca de US$ 78 por barril, reduzindo parte das perdas registradas nos mercados internacionais. Entretanto, analistas seguem atentos aos desdobramentos do conflito, que continua gerando preocupação quanto à segurança da principal rota mundial de transporte de petróleo.



