Pesquisa revela que muitos brasileiros ignoram sinais do câncer colorretal e adiam procura por atendimento médico

Levantamento aponta que sintomas como sangue nas fezes e alterações intestinais são conhecidos pela população, mas quase metade demora para buscar ajuda; diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.

Portal Itapipoca Portal Itapipoca
5 minuto(s) de leitura

O reconhecimento dos principais sintomas do câncer colorretal entre os brasileiros ainda não tem sido suficiente para garantir a busca imediata por atendimento médico. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Hospital A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus, que entrevistou mais de duas mil pessoas em todo o país e identificou um cenário preocupante de demora na investigação da doença.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

O estudo mostra que oito em cada dez entrevistados sabem que a presença de sangue nas fezes e mudanças persistentes no funcionamento do intestino por mais de um mês são sinais que podem indicar problemas graves de saúde. Além disso, 67% afirmaram concordar que esses sintomas podem estar relacionados ao câncer colorretal, enquanto outros 24% disseram concordar totalmente com essa possibilidade.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Apesar desse conhecimento, a pesquisa aponta que quase metade das pessoas não procura assistência médica imediatamente ao perceber esses sintomas.

Entre os participantes, 9% relataram já ter observado sangue nas fezes. Desses, 59% buscaram atendimento médico logo após perceberem o problema. Os demais adotaram outras atitudes antes de procurar um profissional de saúde.

Segundo o levantamento, 19% preferiram apenas esperar que o sintoma desaparecesse espontaneamente. Outros 10% aguardaram dias ou até semanas antes de marcar uma consulta médica. Cerca de 7% recorreram a mudanças na alimentação ou tratamentos caseiros, enquanto 3% compraram medicamentos por conta própria em farmácias. Já 1% pesquisou informações na internet antes de buscar orientação especializada.

Exame preventivo ainda é pouco conhecido

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o baixo conhecimento da população sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), exame considerado um dos principais métodos para detectar precocemente alterações que podem indicar câncer colorretal, mesmo antes do aparecimento de sintomas.

De acordo com a pesquisa, 67% dos entrevistados nunca ouviram falar do exame. Apenas 11% disseram já ter realizado o procedimento, enquanto 21% afirmaram conhecê-lo, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento é ainda maior entre jovens de 16 a 24 anos, faixa etária em que 85% nunca ouviram falar do exame. Os índices também superam a média nacional entre homens (76%), pessoas de menor renda (73%) e aqueles com escolaridade até o ensino fundamental (72%).

O levantamento ainda mostrou que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve câncer colorretal — sendo 15% parentes próximos e 6% amigos ou conhecidos. Outros 75% afirmaram nunca ter tido contato com pacientes diagnosticados com a doença.

Especialista reforça importância do diagnóstico precoce

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, alerta que sintomas como sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, dores abdominais frequentes e perda de peso sem explicação não devem ser ignorados.

Segundo o especialista, também é fundamental realizar exames preventivos a partir dos 45 anos, ou antes dessa idade quando houver recomendação médica ou histórico familiar da doença.

Aguiar destaca que a identificação precoce do câncer colorretal aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido e de cura, reforçando a importância de exames como a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes e a colonoscopia para detectar o tumor ainda em estágios iniciais.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Câncer está entre os mais frequentes no Brasil

Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam cerca de 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil durante o triênio de 2026 a 2028. Com esse número, a doença ocupa a posição de segundo tipo de câncer com maior incidência entre a população brasileira.

O câncer colorretal ganhou ainda mais visibilidade após a morte da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, depois de enfrentar cerca de dois anos de tratamento contra a doença. Especialistas reforçam que o acesso aos exames preventivos e a investigação rápida diante de qualquer sintoma são fundamentais para reduzir a mortalidade causada por esse tipo de câncer.

Compartilhe
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

- Advertisement -