Trabalhadores dos Correios aprovaram uma greve por tempo indeterminado em diversas regiões do país. A decisão foi tomada durante assembleias realizadas na noite desta quinta-feira (10) e, segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), reúne sindicatos de diferentes estados e regiões.
A paralisação ocorre após o encerramento das negociações da campanha salarial sem que um acordo fosse alcançado entre os representantes dos empregados e a direção da empresa.
Entre os principais pontos de discordância está o plano de saúde oferecido aos funcionários. De acordo com a Findect, os trabalhadores são contrários às mudanças pretendidas pela direção dos Correios no benefício.
A federação afirma que a categoria participou de várias rodadas de negociação e também buscou uma solução por meio de tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). No entanto, as tratativas não resultaram em um entendimento.
Para os representantes dos trabalhadores, o plano de saúde é considerado uma das principais reivindicações da categoria e qualquer alteração no benefício precisa ser discutida de forma ampla.
Serviços durante a paralisação
O funcionamento dos Correios pode variar de acordo com a região e a adesão de cada sindicato à greve.
Na Paraíba, por exemplo, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, informou que, durante a paralisação, apenas atividades administrativas internas permanecem em funcionamento.
Até o momento, não há uma confirmação geral sobre como os serviços serão mantidos nas demais regiões do país. A situação pode variar conforme a mobilização dos trabalhadores e as orientações de cada sindicato.
Greve ocorre em meio a dificuldades financeiras
A paralisação acontece em um momento de forte pressão financeira sobre os Correios. A empresa acumula 15 trimestres consecutivos com resultados negativos.
No primeiro semestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de aproximadamente R$ 5,6 bilhões. Apesar do resultado, o desempenho do segundo trimestre apresentou uma redução nas perdas em comparação com os dois períodos anteriores, o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025.
O primeiro trimestre deste ano havia registrado o maior prejuízo da história recente da empresa, aumentando a pressão por medidas de recuperação financeira.
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Empresa busca novo empréstimo de R$ 7 bilhões
Diante das dificuldades financeiras, os Correios também aguardam a liberação de um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, previsto para ser concluído até 15 de setembro.
A operação deverá contar com um grupo de instituições financeiras, seguindo modelo semelhante ao adotado no final do ano passado, quando a estatal obteve R$ 12 bilhões em recursos.
A nova operação deve envolver os bancos estrangeiros Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do Banrisul. O empréstimo de R$ 7 bilhões já havia sido informado pelos próprios Correios nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre de 2026, divulgadas no fim de agosto.
Regiões que aderiram à paralisação
Segundo a Findect, a mobilização reúne sindicatos de diferentes estados e regiões. A relação divulgada pela entidade inclui:
- Acre: SINTECT-AC — assembleia prevista para sexta-feira (11);
- Alagoas: SINTECT-AL;
- Amazonas: SINTECT-AM;
- Amapá: SINTECT-AP;
- Bahia: SINTECT-BA;
- Campinas: SINTECT-CAS;
- Ceará: SINTECT-CE;
- Distrito Federal: SINTECT-DF;
- Espírito Santo: SINTECT-ES;
- Goiás: SINTECT-GO;
- Juiz de Fora: SINTECT-JFA;
- Minas Gerais: SINTECT-MG;
- Mato Grosso: SINTECT-MT;
- Rondônia: SINTECT-RO;
- Pará: SINCORT-PA;
- Paraíba: SINTECT-PB;
- Pernambuco: SINTECT-PE;
- Piauí: SINTECT-PI;
- Paraná: SINTCOM-PR;
- Rio Grande do Norte: SINTECT-RN;
- Roraima: SINTECT-RR;
- Ribeirão Preto: SINTECT-RPO;
- Rio Grande do Sul: SINTECT-RS;
- Santa Catarina: SINTECT-SC;
- Sergipe: SINTECT-SE;
- São José do Rio Preto: SINTECT-SJO;
- Santa Maria: SINTECT-SMA;
- Tocantins: SINTECT-TO;
- Uberaba: SINTECT-URA;
- Vale do Paraíba: SINTECT-VP;
- Bauru e região: SINDECTEB;
- Maranhão: SINTECT-MA;
- Mato Grosso do Sul: SINTECT-MS;
- Rio de Janeiro: SINTECT-RJ;
- Santos e região: SINTECT-Santos;
- São Paulo: SINTECT-SP.
A greve deverá provocar impactos diferentes na prestação dos serviços, conforme a adesão dos trabalhadores em cada localidade. A categoria reivindica avanços nas negociações e cobra uma solução para os pontos considerados prioritários, especialmente as questões relacionadas ao plano de saúde.



