André Fernandes (PL) foi reeleito deputado federal pelo Ceará neste domingo (4) e encerrou a disputa com uma marca histórica nas urnas. Com 97% das seções eleitorais apuradas, o parlamentar já havia ultrapassado 673 mil votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do estado.
A votação de André superou o recorde que pertencia a Ciro Gomes (PSDB), que havia recebido 667.830 votos na eleição para a Câmara dos Deputados em 2006. A marca permaneceu por duas décadas até ser ultrapassada pelo candidato do PL.
O resultado também representa um crescimento expressivo em relação à primeira eleição de André para a Câmara. Em 2022, quando conquistou seu primeiro mandato federal, ele recebeu 229.509 votos. Quatro anos depois, a votação praticamente triplicou.
A apuração foi acompanhada pelo deputado em seu comitê eleitoral, no bairro José Walter, em Fortaleza. Ao lado de apoiadores, André comemorou a reeleição e acompanhou a confirmação do novo recorde estadual.
Após a consolidação da marca, o parlamentar agradeceu aos eleitores e afirmou que o resultado representava uma resposta política aos grupos que, segundo ele, duvidavam de sua capacidade eleitoral.
“De coração, o meu muito obrigado. Obrigado, Ceará, por ter dado essa resposta ao sistema que muitas vezes quis me barrar”, declarou André Fernandes durante a comemoração.
O deputado também afirmou que sua campanha não dependia do apoio de prefeitos e atribuiu o desempenho nas urnas à relação construída diretamente com os eleitores.
Ascensão política
Natural de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará, André Fernandes construiu sua trajetória política em pouco menos de uma década e rapidamente se tornou um dos principais nomes da direita no estado.
Antes de ingressar na política institucional, ganhou notoriedade na internet com vídeos de humor, memes e paródias. A atuação nas redes sociais passou a incorporar conteúdos políticos a partir de 2017, quando começou a se aproximar do movimento conservador e do então deputado Jair Bolsonaro.
A primeira eleição ocorreu em 2018. Pelo então Partido Social Liberal (PSL), André foi eleito deputado estadual com 109.742 votos. Aos 20 anos, tornou-se um dos parlamentares mais jovens eleitos no País naquela legislatura e alcançou a maior votação para a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) naquele pleito.
A passagem pelo PSL, entretanto, foi marcada por conflitos internos. Em 2019, o parlamentar chegou a ser suspenso pela legenda por 30 dias em meio às disputas internas que envolviam o partido e sua relação com Jair Bolsonaro.
Posteriormente, acompanhou Bolsonaro na mudança partidária e ingressou no Partido Liberal (PL). Em 2022, candidatou-se à Câmara dos Deputados e foi eleito com a maior votação entre os candidatos do Ceará para o cargo.
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Disputa pela Prefeitura de Fortaleza
Em 2024, André Fernandes disputou pela primeira vez uma eleição majoritária. O parlamentar foi candidato à Prefeitura de Fortaleza pelo PL, tendo Alcyvania Pinheiro como candidata a vice.
No primeiro turno, terminou na primeira colocação, com 40,20% dos votos válidos, e avançou para o segundo turno contra Evandro Leitão (PT).
Na etapa decisiva, André recebeu 49,62% dos votos válidos, mas acabou derrotado por uma diferença de 10.838 votos. A disputa foi uma das mais acirradas para a Prefeitura de Fortaleza nas últimas décadas.
Depois da eleição, o deputado retomou gradualmente as atividades políticas e passou a ampliar sua atuação na articulação da oposição no Ceará.
Em setembro de 2025, assumiu a presidência estadual do PL, sucedendo o deputado estadual Carmelo Neto. A partir da nova função, passou a exercer papel central nas decisões e alianças do partido para as eleições de 2026.
Articulações para as eleições de 2026
À frente do PL no Ceará, André Fernandes participou diretamente da construção da estratégia eleitoral da oposição no estado.
Uma das principais articulações foi o apoio do partido à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará. A aproximação entre grupos que historicamente estiveram em campos políticos distintos provocou debates dentro da própria direita cearense.
André defendeu a aliança sob o argumento de que havia mais pontos de convergência entre os grupos oposicionistas do que divergências diante do objetivo de enfrentar o grupo governista.
A composição também gerou críticas de Michelle Bolsonaro, que considerou a aproximação com Ciro precipitada. André, por sua vez, afirmou que a decisão contava com o aval de Jair Bolsonaro e da direção nacional do PL.
No cenário para o Senado, o dirigente estadual trabalhou pela candidatura de seu pai, Alcides Fernandes, enquanto havia também articulação para a inclusão da deputada federal Priscila Costa na chapa. O arranjo acabou sendo confirmado na convenção estadual do PL.
Durante a campanha, Ciro Gomes chegou a manifestar apoio à reeleição de André Fernandes e declarou que gostaria de ver o parlamentar superar a marca de 667.830 votos que havia conquistado para a Câmara em 2006.
Atuação e episódios de repercussão
A trajetória política de André Fernandes também foi marcada por episódios que geraram ampla repercussão.
Durante sua passagem pela Assembleia Legislativa, em 2019, o então deputado estadual fez acusações contra parlamentares que, segundo ele, teriam ligações com organizações criminosas. Entre os citados estava o deputado Nezinho Farias. O procedimento acabou arquivado pelo Ministério Público do Ceará por falta de provas, e André posteriormente se retratou publicamente.
O parlamentar também esteve envolvido em apurações relacionadas a suspeitas de nepotismo. Em 2021, firmou acordo com o Ministério Público do Ceará e efetuou o pagamento de multa de R$ 1 mil. Outras investigações relacionadas ao tema foram posteriormente arquivadas por falta de elementos que comprovassem irregularidades.
Já no âmbito federal, André Fernandes foi alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por publicações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023. A Polícia Federal apontou possíveis indícios de incitação a crime, mas a Procuradoria-Geral da República se manifestou pelo arquivamento do caso, considerando que não havia elementos suficientes para estabelecer relação de causalidade. O entendimento foi acolhido pelo ministro Alexandre de Moraes, e o procedimento acabou arquivado em junho de 2026.
Em janeiro deste ano, André também participou, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), da chamada “Caminhada pela Liberdade”, mobilização que percorreu mais de 200 quilômetros entre Minas Gerais e Brasília. O ato foi apresentado pelos participantes como um protesto contra prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro e contra o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria.
Novo mandato
Com a reeleição e a votação histórica, André Fernandes amplia seu peso político no Ceará e consolida-se como uma das principais lideranças do PL no estado.
A marca obtida nas urnas também coloca o parlamentar em uma posição de destaque nacional dentro da Câmara dos Deputados, enquanto o resultado reforça sua influência sobre as articulações da oposição cearense para os próximos anos.



