O Ceará enfrenta um dos quadros mais críticos de estiagem dos últimos anos. Dados do Monitor de Secas revelam que 42,04% do território estadual está sob condição de seca grave, situação que afeta diretamente 95 municípios. O percentual representa o nível mais elevado registrado desde dezembro de 2018, evidenciando a intensificação do fenômeno no estado.
De acordo com o levantamento mais recente, o agravamento da seca está ligado, principalmente, à baixa ocorrência de chuvas ao longo do segundo semestre de 2025. Tradicionalmente, esse período contribui para a recomposição de reservatórios e a recuperação da umidade do solo, o que não se confirmou desta vez, resultando em volumes pluviométricos abaixo da média histórica.
Os efeitos da seca grave já começam a se refletir em diferentes setores. Entre os principais impactos apontados estão as perdas potenciais nas lavouras e pastagens, a redução da disponibilidade de água para consumo humano e animal, além da necessidade de adoção de medidas restritivas para o uso dos recursos hídricos, sobretudo em municípios considerados mais vulneráveis.
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O cenário acende um alerta para a importância do monitoramento climático contínuo e do fortalecimento de estratégias de mitigação. Especialistas destacam que a maior irregularidade das chuvas e o aumento da frequência de eventos extremos no semiárido exigem planejamento antecipado e políticas públicas voltadas à convivência com a seca.
Monitoramento da estiagem
O Monitor de Secas é uma ferramenta nacional que acompanha, de forma sistemática, a evolução da estiagem no país. As informações são divulgadas mensalmente por meio de mapas que detalham a intensidade e a extensão da seca em cada estado brasileiro.
A iniciativa é coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em parceria com instituições estaduais. No Ceará, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) é responsável pela análise e operacionalização dos dados, que servem de base para decisões nas áreas de agricultura, gestão dos recursos hídricos e formulação de políticas públicas, especialmente em regiões historicamente afetadas pela variabilidade climática.



