O rapper, DJ e produtor norte-americano Afrika Bambaataa morreu aos 68 anos, na madrugada desta quinta-feira (9), em um hospital no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. De acordo com informações divulgadas pelo site TMZ, a causa da morte foram complicações decorrentes de um câncer.
Reconhecido mundialmente como um dos fundadores do hip-hop, Bambaataa construiu uma trajetória que ultrapassou fronteiras e ajudou a consolidar o movimento como uma expressão cultural global, conectando comunidades periféricas e promovendo mensagens de paz, união e consciência social.
A morte do artista gerou forte repercussão entre nomes da música e da cultura urbana. Em publicação nas redes sociais, a equipe oficial do DJ destacou que sua contribuição foi além da música, sendo também um agente de transformação social. A mensagem ressaltou que o hip-hop se tornou uma linguagem universal graças à sua atuação e visão.
Criador da Universal Zulu Nation, fundada na década de 1970, Bambaataa teve papel essencial na organização do movimento, difundindo valores como respeito, união e resistência entre jovens, especialmente nas periferias urbanas.
No Brasil, sua influência também é marcante. O DJ DJ Marlboro já afirmou que a música “Planet Rock”, lançada em 1982, foi uma das principais referências para o surgimento do funk carioca. O próprio Bambaataa reconhecia essa conexão e, em entrevistas, destacou semelhanças entre sua produção e ritmos brasileiros com raízes africanas.
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O artista esteve diversas vezes no país, incluindo apresentações no Rock in Rio, onde dividiu o palco com nomes como Paula Lima e o rapper português Boss AC. Ele também participou de programas da televisão brasileira, como o “Esquenta!”, apresentado por Preta Gil.
Para o rapper GOG, um dos principais nomes do hip-hop nacional, a morte de Bambaataa representa uma perda histórica para o movimento. Segundo ele, o artista transformou a cultura de rua em ferramenta de educação e conscientização.
O jornalista e ativista Eduardo Nascimento destacou o papel do DJ como símbolo de transformação social, lembrando sua atuação desde a pacificação de gangues no Bronx até a consolidação do hip-hop como movimento cultural organizado.
Já o antropólogo Spensy Pimentel ressaltou que a influência de Bambaataa vai além da música, alcançando dimensões filosóficas e políticas. Ele destacou que o artista foi um dos primeiros a levar o hip-hop para a indústria fonográfica e a estruturar o movimento como uma rede global.
Apesar do legado cultural, Pimentel também lembrou que, nos últimos anos, o nome de Bambaataa esteve envolvido em acusações de abuso sexual, o que acabou gerando controvérsias e impactando sua imagem pública.
Mesmo diante dessas questões, a trajetória de Afrika Bambaataa permanece como um dos pilares da história do hip-hop, com influência direta na música, na cultura urbana e na formação de movimentos sociais em diversas partes do mundo.



