Nos pênaltis, Brasil vence Alemanha e conquista primeiro ouro olímpico

No tempo normal, seleção brasileira empatou em 1 a 1 com alemães

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Acabou. Enfim, o Brasil é campeão de tudo. O time de Rogério Micale, dos quatro atacantes que se juntam aos volantes para marcar, bateu a Alemanha por 5 a 4, nos pênaltis, depois de empate em 1 a 1, no tempo regulamentar, de uma prorrogação sem gols, e conquistou a medalha de ouro olímpica. O título que faltava ao futebol brasileiro.

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Se o placar do Maracanã não serviu para apagar os 7 a 1 do Mineirão, na Copa do Mundo, ao menos a seleção que será o futuro do Brasil impôs à Alemanha uma derrota olímpica, deixando-a com a prata. De certa forma, o Maracanã também teve a sua redenção. O estádio do Maracanazo de 50 agora reluz como ouro. O pódio no futebol elevou os Jogos do Rio à maior Olimpíada da história para o Time Brasil, com seis medalhas de ouro — pouco, é verdade, mas um recorde nacional.

A seleção começou jogando mal, como nas duas primeiras partidas de Brasília. Neymar voltou a ser o “dono do time” e tentou resolver tudo sozinho. Deu um contra-ataque para a Alemanha e não armou jogada alguma. Mesmo com mais de 60 mil torcedores a favor, o Brasil não parecia se encontrar em campo. E os alemães gostaram.

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Aos 10 minutos, Brandt se ajeitou em seu corpanzil de 1m85cm e mandou a bola para cima. Weverton ficou olhando, olhando e olhando, até que ela o encobriu e ela só não entrou porque esse estabacou no travessão. Até o trimedalhista de ouro no Rio, o jamaicano Usain Bolt e a camisa 10 da seleção feminina, Marta, se assustaram na arquibancada.

Foi então que o Neymar da seleção passou a ser Luan. Frio, passou a costurar as jogadas de meio-campo. Aos 13, após cruzamento de Douglas Santos, o camisa 7 do Grêmio e da seleção olímpica pegou de primeira, mas Ginter salvou antes que ela chegasse ao gol. O time de Rogério Micale tentava reagir.

Aos poucos, a seleção foi tomando o controle da partida. Os alemães já não se aproximavam de Weverton com a mesma facilidade e o time de amarelo começou a (timidamente, é verdade) atacar com maior frequência. Matthias Ginter esteve nos 7 a 1. Era reserva. Não jogou a Copa. Mas deve ter dado boas risadas enquanto a sua seleção empilhava gols no Brasil. Pois Ginter é um zagueirão duro, que pode ser visto em qualquer domingo em qualquer campeonato de várzea. Um alemãozão de 1m90cm de altura e que deu um bico na canela de Neymar, aos 26 minutos.

Pois nesse momento, ressurgiu em campo o Neymar dos três jogos anteriores. Concentrado, ele colocou as mãos na cintura e ficou secando o goleiro Horn, enquanto a barreira era armada. Foram alguns segundos de tensão. Barreira montada, Neymar parado, fitando o goleiro. Foi aí que ele correu e bateu com o pé direito, com a precisão de um sniper. A bola subiu, acertou o travessão e caiu dentro do gol. Neymar saiu correndo, imitando o gesto de Bolt e, aos berros, disse:

— Eu tô aqui! Eu tô aqui!

Ao 1 a 0 se seguiu o grito de “arrá, urrú, o Maraca é nosso”. Isso foi um pouco antes de a bola alemã acertar o nosso travessão duas vezes mais. Na primeira, em um escanteio no qual a bola passou por todos e ninguém botou pra dentro e, na segunda, quando Bender desviou de cabeça e ela roçou o travessão. Se a seleção não jogava tão bem, ao menos parecia estar protegida pelos deuses do futebol — ou do Maracanã. E teve mais dois sustos. Weverton defendeu uma pancada de Meyer e, depois, outra vez em chute de Meyer, a bola desviou em Rodrigo Caio e Weverton e defendeu com os pés já dentro do gol. Por sorte, esticou os braços e impediu que a bola entrasse.

E o primeiro tempo acabou assim: o Brasil com a medalha de ouro provisória e levando sufoco.

No segundo tempo, o futebol aprontou das suas. O Brasil jogava bem e estava com o jogo sob controle. Até que Marquinhos errou uma saída de bola, os pragmáticos alemães recuperaram e Meyer (jogador do Schalke 04) bateu de primeira, já dentro da área, sem chances para Weverton.

O 1 a 1 não estava nos planos. Mas a torcida tomou para si a final. Parecia uma decisão de Libertadores. O Maracanã queria o ouro e o gol quase veio aos 19 minutos, quando Gabriel Jesus desviou a bola a centímetros do gol alemão.

Gabigol foi substituído por Felipe Anderson. Saiu apupado pela torcida, um exagero. O Brasil seguia em cima da Alemanha, mas cada contra-ataque fazia as espinhas congelarem na arquibancada. Sabe quando um time entra em desespero? Pois o Brasil começou a ficar assim. Apesar da pressão, cada chance de gol desperdiçada era seguida por mãos na cabeça e por rostos angustiados. Foi assim com Felipe Anderson, com Neymar, com Luan e com Jesus.

Nos minutos finais, vencido pela ansiedade, o Brasil não teve serenidade para marcar o gol do título. E a medalha foi para a prorrogação.

A prorrogação
O Brasil foi para o tudo ou nada. Não queria ter de definir o ouro nos pênaltis. E, para isso, apostou nos lançamentos longos. Gabriel Jesus e, depois, Luan tiveram chances semelhantes e nenhum dos dois conseguiu chegar ao gol. A impressão que os 22 jogadores passavam era que ninguém mais suportava correr.

No segundo tempo, antes do primeiro minuto, Neymar encontrou Felipe Anderson, que recebeu, invadiu a área e parou nas mãos de Horn. Os alemães trocavam passes na defesa, por cansaço e por estratégia, esperando o Brasil se abrir. A torcida urrou uma vaia contra os europeus, a fim de desestabilizá-los. De repente, o jogo parecia Arquibancada x Alemanha. Era a cartada final antes dos pênaltis. Não deu. A decisão se tornou ainda mais dramática.

Os pênaltis
A Alemanha começou batendo, com Ginter: gol. Foi então que, sem errar, seguiram cobrando Renato Augusto, Gnabry, Marquinhos, Brandt, Rafinha, Suele e Luan: 4 a 4. Nesse momento, o tempo para. Fica como nos tempos de colégio: quem errar, perde. E o goleador Petersen , autor de seis gols, foi para a bola. Weverton se atirou no canto esquerdo e foi ali que o alemão bateu. O goleiro do Atlético-PR defendeu. Para que se transformasse em um dos heróis da noite, precisava que neymar marcasse a quinta cobrança.

O camisa 10 assumiu a responsabilidade. O Maracanã estava calado. Apenas as luzes das câmeras dos telefones eram vistas nas arquibancadas. Neymar bateu e acabou com a última fronteira do futebol brasileiro. O ouro estava, enfim, em casa. Choro em campo e nas arquibancadas. Weverton ficou com a bola do jogo, Micale entrou para a história e os alemães foram ovacionados por um Maracanã em redenção.

FICHA TÉCNICA
BRASIL: Weverton; Zeca, Rodrigo Caio, Marquinhos eDouglas Santos; Walace, Renato Augusto; Luan, Gabriel Barbosa (Felipe Anderson, aos 24’/2º), Gabriel Jesus (Rafinha, 4’/1º) e Neymar.
Técnico: Rogério Micale.

ALEMANHA: Horn; Toljan, Klostermann, Ginter e Suele; Sven Bender (Christiansen, 9’/2º), Meyer, Lars Bender (Proemel, 21’/2º), Brandt e Gnabry; Selke (Petersen, 30’/2º).
Técnico: Hurst Hrubesch.

Gols: Neymar (B), aos 26 minutos do primeiro tempo; Meyer (A), aos 13 minutos do segundo tempo.

Público: 65.120 torcedores

Arbitragem: Alireza Faghani, auxiliado por Reza Sokhandan e Mohammadreza Mansouri (trio do Irã).

Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.

Zero Hora

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