Uma estátua de 11 metros de altura em homenagem ao Diabo foi construída no município de São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Fortaleza. O monumento está localizado no Palácio Estrela Negra da Quimbanda, no distrito da Taíba, e passou a atrair a curiosidade de moradores e visitantes devido às dimensões da estrutura.
A obra foi idealizada pela sacerdotisa conhecida como Mãe Rainha das Trevas, responsável pelo templo religioso. Segundo ela, a construção custou mais de R$ 100 mil e foi financiada integralmente com recursos próprios. A líder religiosa também afirma que a escultura é a maior do mundo dedicada ao Diabo, embora não exista qualquer registro oficial que comprove essa informação.
“A verba foi toda tirada do meu próprio bolso. Eu fiz ela toda com dinheiro próprio, num local próprio, que é meu, porque aqui as terras são minhas, o terreno é meu”, declarou.
O monumento foi instalado em uma propriedade particular pertencente à sacerdotisa. Em nota, a Prefeitura de São Gonçalo do Amarante, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), informou que o templo religioso atendeu às exigências previstas na legislação ambiental e urbanística, estando regular perante as normas em vigor.
A inauguração da estátua gerou ampla repercussão nas redes sociais. Enquanto praticantes da mesma crença manifestaram apoio à iniciativa, outras pessoas fizeram comentários considerados preconceituosos pela líder religiosa.
Em resposta às críticas, Mãe Rainha das Trevas defendeu o direito à liberdade religiosa e ressaltou que o Brasil é um Estado laico, onde todas as crenças devem ser respeitadas.
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“Eu vivo num país laico, onde eu tenho o direito à liberdade religiosa, de professar aquilo que eu acredito. As pessoas têm que entender que acreditar diferente delas não pode ser motivo de julgamento. Eu respeito tudo aquilo que é diferente da minha fé e peço que também respeitem a minha”, afirmou.
Ela também explicou que, dentro da quimbanda, a figura dos demônios possui um significado diferente daquele atribuído por outras religiões.
“As pessoas usam o nome ‘demônio’ de forma pejorativa. Eu falo esse nome com muito amor, porque, para nós, os demônios são bons, ajudam e estão sempre de braços abertos para receber aqueles que precisam de auxílio”, declarou.
Apesar da repercussão negativa em parte das redes sociais, a sacerdotisa afirmou que não teme possíveis atos de vandalismo contra a estátua. Segundo ela, a comunidade onde o templo está localizado respeita sua religião e mantém uma convivência harmoniosa.
Além das atividades religiosas, Mãe Rainha das Trevas destacou que desenvolve ações sociais na região. Ela informou que, anualmente, realiza a doação de toneladas de carne de frango, boi e bode provenientes dos rituais para famílias em situação de vulnerabilidade. Também promove, todos os anos, uma festa em comemoração ao Dia das Crianças, com a distribuição de centenas de brinquedos para crianças da comunidade.
A construção do monumento reacendeu discussões sobre liberdade religiosa e intolerância contra religiões de matriz afro-brasileira. Enquanto o espaço recebe visitantes interessados em conhecer a estátua e o templo, a responsável pela obra afirma que o objetivo é fortalecer sua fé e exercer o direito garantido pela Constituição de praticar livremente sua religião.



