A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas especializada em clima e meteorologia, informou nesta terça-feira (2) que o fenômeno El Niño tem potencial para atingir intensidade moderada ou forte nos próximos meses, contribuindo para o aumento das temperaturas globais e para a ocorrência de eventos climáticos extremos em diversas regiões do planeta.
Segundo a entidade, o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial está favorecendo o desenvolvimento do fenômeno, que deverá permanecer ativo até pelo menos novembro. As projeções indicam temperaturas acima da média em grande parte do mundo durante o período de junho a agosto.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento periódico das águas do Pacífico central e oriental. O fenômeno costuma durar entre nove e 12 meses e provoca alterações significativas nos padrões climáticos globais, influenciando regimes de chuva, temperaturas e a ocorrência de eventos extremos.
Apesar de ainda haver incertezas sobre sua intensidade, a OMM destacou que as condições atuais merecem atenção. A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, ressaltou que governos e comunidades precisam estar preparados para os possíveis impactos.
De acordo com a agência, o fenômeno pode agravar períodos de seca em regiões como Austrália, América Central, Indonésia e partes do sul da Ásia. Em contrapartida, áreas do sul da América do Sul, partes dos Estados Unidos, do Chifre da África e da Ásia Central podem registrar aumento das chuvas.
Veja também
A OMM também aponta que o El Niño favorece a ocorrência de ondas de calor mais intensas, tanto em áreas continentais quanto nos oceanos, além de contribuir para a formação de furacões no Pacífico central e oriental.
Outro fator que preocupa especialistas é o impacto sobre a saúde pública. Temperaturas mais elevadas podem ampliar a propagação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, além de afetar a disponibilidade de alimentos e recursos hídricos em diversas regiões.
A organização lembra que o último episódio forte de El Niño, registrado entre 2023 e 2024, esteve entre os fatores que contribuíram para tornar 2024 o ano mais quente já registrado desde o início das medições globais.
Impactos na economia
Além das consequências ambientais e sociais, o avanço do fenômeno pode gerar reflexos na economia mundial. A produção agrícola está entre os setores mais vulneráveis às mudanças climáticas provocadas pelo El Niño.
Empresas ligadas ao mercado internacional de alimentos acompanham a situação com preocupação. Há receio de que as condições climáticas reduzam a produtividade de importantes regiões produtoras de cacau, especialmente no Equador e na África Ocidental, responsáveis por cerca de 60% da produção global.
Segundo especialistas do setor, uma eventual queda na oferta pode pressionar os preços internacionais da commodity e afetar diversos segmentos da indústria alimentícia.
A OMM informou ainda que identificou temperaturas excepcionalmente elevadas abaixo da superfície do Pacífico tropical, chegando a mais de 6°C acima da média em algumas áreas. Esse grande reservatório de calor é considerado um dos principais fatores que impulsionam o fortalecimento do fenômeno.
Diante desse cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reforçou a necessidade de acelerar a transição para fontes de energia renovável. Para ele, os sinais observados no clima global evidenciam a urgência de ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e enfrentar os desafios das mudanças climáticas.



