Trump volta a acusar China de interferência eleitoral e amplia tensão entre Washington e Pequim

Declarações do presidente dos EUA ocorrem às vésperas das eleições legislativas e podem afetar negociações diplomáticas e comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acusar a China de tentar interferir no processo eleitoral norte-americano, reacendendo um discurso que pode elevar a tensão diplomática entre Washington e Pequim em um momento considerado sensível para as relações entre os dois países.

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Durante um pronunciamento realizado na quinta-feira (16), Trump afirmou que a China teria obtido de forma irregular informações de milhões de eleitores dos Estados Unidos, classificando o suposto vazamento de dados como uma grave ameaça à segurança eleitoral do país. Segundo o presidente, a situação representa um risco sem precedentes para a integridade das eleições.

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As declarações acontecem enquanto os Estados Unidos se aproximam das eleições para o Congresso, marcadas para novembro, período em que o tema da segurança eleitoral volta a ganhar destaque no debate político.

A resposta da China foi imediata. Em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, rejeitou as acusações e afirmou que Pequim jamais interferiu nas eleições norte-americanas. Segundo ele, as declarações de Trump fazem parte de uma campanha baseada em acusações sem fundamento.

A embaixada chinesa em Washington também negou qualquer envolvimento em processos eleitorais dos Estados Unidos, reiterando que a posição do governo chinês permanece a mesma: não houve nem haverá interferência nas eleições presidenciais do país.

Relações diplomáticas podem ser afetadas

As novas declarações surgem em meio a uma tentativa de estabilização das relações entre Washington e Pequim, após um período de fortes disputas comerciais. Especialistas avaliam que o discurso pode dificultar o ambiente diplomático às vésperas de uma possível reunião entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, prevista para ocorrer nos próximos meses.

Apesar das críticas, Trump não anunciou novas sanções ou medidas econômicas contra a China durante o pronunciamento, o que pode reduzir o impacto imediato sobre as negociações bilaterais.

Nos últimos meses, os dois governos vinham adotando um tom mais moderado após a suspensão de parte das tensões comerciais iniciadas com a imposição de tarifas elevadas pelos Estados Unidos. Ainda assim, a confirmação de uma visita oficial de Xi Jinping a Washington continua pendente, e autoridades chinesas já indicaram que futuros encontros entre os líderes dependerão da manutenção de um ambiente diplomático favorável.

Acusações já haviam sido feitas anteriormente

Esta não é a primeira vez que Trump associa a China a supostas tentativas de influenciar eleições norte-americanas. Durante e após a disputa presidencial de 2020, o republicano apresentou alegações semelhantes ao defender a tese de que houve irregularidades no processo eleitoral.

Entretanto, uma avaliação divulgada pela comunidade de inteligência dos Estados Unidos em 2021 concluiu que não foram encontradas evidências de que governos estrangeiros, incluindo a China, tenham alterado qualquer aspecto técnico da eleição presidencial de 2020, como registros de eleitores, cédulas, sistemas de apuração ou os resultados oficiais do pleito.

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