Ministério da Educação divulga Censo Escolar 2025 com queda nas matrículas da educação básica

Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira apontam redução de 2,29% no total de alunos, mas indicam avanço no acesso e na eficiência do sistema educacional.

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O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) apresentaram nesta quinta-feira (26) os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025. O levantamento contabilizou 46,018 milhões de estudantes matriculados em 178,76 mil escolas públicas e privadas em todo o país, considerando todas as etapas da educação básica.

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O número representa uma redução de 2,29% em relação a 2024, quando foram registradas 47.088.922 matrículas — uma diferença de aproximadamente 1,082 milhão de alunos a menos.

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Apesar da queda, o Inep avalia que o cenário não indica retrocesso. Segundo o coordenador-geral de Estatísticas Educacionais da Diretoria de Estatísticas Educacionais (DEED), Fábio Pereira Bravin, o principal indicador a ser observado é o aumento do atendimento escolar da população, mesmo diante da diminuição do público em idade escolar.

Mudança demográfica influencia números

Dados da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), apontam que a população de crianças de 0 a 3 anos caiu 8,4% entre 2022 e 2025. A retração demográfica também atinge a faixa de 15 a 17 anos, contribuindo diretamente para a redução no total de matrículas.

Ainda assim, os índices de frequência escolar apresentam crescimento. Entre crianças de até 3 anos, a taxa de atendimento escolar subiu 4,3 pontos percentuais entre 2019 e 2024, alcançando 39,8%. Já na faixa obrigatória de 4 a 17 anos, a frequência escolar chegou a 97,2% em 2024, indicando praticamente a universalização do acesso.

Menos repetência e avanço na distorção idade-série

Outro fator que ajuda a explicar a redução no número de matrículas é a diminuição da repetência e a melhora nos índices de distorção idade-série — indicador que mede se o estudante está cursando a etapa adequada para sua idade.

De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, o sistema educacional tornou-se mais eficiente ao reduzir retenções e permitir que estudantes avancem nas séries dentro da idade correta.

No ensino médio, por exemplo, a distorção idade-série no 3º ano caiu 61% entre 2022 e 2025, passando de 27,2% para 13,99%. Segundo o ministro, a redução da repetência evita que o sistema fique “inchado” e contribui para um fluxo escolar mais adequado.

“O Brasil praticamente universalizou o acesso à escola. Precisamos agora garantir qualidade e equidade no ensino”, afirmou.

Especialistas avaliam cenário

A superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, destacou que o número de matrículas é o menor desde 2021, quando o país registrou 46,6 milhões de estudantes. Para ela, os dados exigem análise cuidadosa, considerando as transformações demográficas e os avanços na permanência escolar.

Segundo a especialista, embora haja menos jovens no país, uma proporção maior deles está frequentando a escola. Ainda assim, ela ressalta que o desafio agora é garantir acesso, permanência e qualidade da aprendizagem em todas as etapas da educação básica, com maior articulação entre União, estados e municípios.

Educação infantil avança

O Censo Escolar 2025 mostra que a educação infantil atingiu o maior percentual histórico de atendimento em creches para crianças de 0 a 3 anos: 41,8%. O índice aproxima o país da meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE).

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Somente neste ano, foram criadas 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas com apoio do governo federal. O MEC informou ainda que o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) prevê investimento de R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas unidades de educação infantil.

Conectividade nas escolas cresce

Outro destaque do levantamento é o avanço na conectividade das escolas de educação básica. O percentual de unidades com acesso à internet passou de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025.

Entre 2023 e 2025, foram investidos R$ 3 bilhões para ampliar a conectividade em redes estaduais e municipais. O percentual de escolas com internet adequada para uso pedagógico subiu de 45% para 70% no período, embora o maior desafio ainda esteja concentrado na região Norte do país.

Sobre o Censo Escolar

Realizado anualmente pelo Inep, o Censo Escolar reúne informações detalhadas sobre escolas públicas e privadas, professores, gestores, turmas e estudantes da educação básica. O levantamento contempla ensino regular, educação especial, Educação de Jovens e Adultos (EJA) e educação profissional, sendo a principal base de dados para formulação de políticas públicas educacionais no Brasil.

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