Relatório aponta que 2025 foi o 3º ano mais quente da história e causou R$ 3,9 bilhões em prejuízos no Brasil

Relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais aponta aumento de eventos extremos, mais de 336 mil pessoas afetadas e alerta para tendência de agravamento nos próximos anos.

Portal Itapipoca Portal Itapipoca
4 minuto(s) de leitura
- PUBLICIDADE -

O ano de 2025 entrou para a história como o terceiro mais quente já registrado no planeta. A temperatura média global ficou 1,47°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900), reforçando o avanço do aquecimento global e seus impactos cada vez mais visíveis.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

No Brasil, os reflexos foram severos: 336.656 pessoas afetadas diretamente por eventos climáticos extremos e prejuízos econômicos estimados em R$ 3,9 bilhões. Os dados constam no relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, divulgado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

A publicação reúne informações de instituições e programas internacionais de monitoramento climático, como o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, referência global na análise de dados ambientais.

Recordes de temperatura e impactos globais

Segundo o levantamento, a temperatura média global em 2025 chegou a 14,97°C — apenas 0,01°C abaixo da registrada em 2023 e 0,13°C inferior à de 2024, que permanece como o ano mais quente da série histórica.

O relatório destaca que o aumento das temperaturas, aliado aos níveis recordes de vapor d’água na atmosfera, intensificou fenômenos extremos como ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e chuvas intensas, gerando impactos sociais e econômicos em larga escala.

Secas generalizadas e eventos extremos no Brasil

No cenário nacional, o verão 2024/2025 foi o sexto mais quente desde 1961. Em novembro, oito unidades da federação registraram seca em 100% de seus territórios: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.

Ao longo do ano, o país enfrentou sete ondas de calor e sete ondas de frio, além de uma ampla variedade de desastres hidrometeorológicos associados ao aquecimento global.

Foram contabilizados 1.493 eventos hidrológicos, entre secas intensas, alagamentos, transbordamentos de rios, cheias, enxurradas e deslizamentos de terra. Desse total, 1.336 foram de pequeno porte, 146 de médio porte e 11 de grande porte. A maior concentração ocorreu na Região Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo), responsável por 43% das ocorrências.

Municípios em risco

O estudo aponta que 2.095 dos 5.570 municípios brasileiros estão expostos a riscos geo-hidrológicos, devendo ser prioridade em políticas de prevenção e gestão de desastres.

Minas Gerais aparece como o estado com maior número de cidades vulneráveis durante o período chuvoso: dos 853 municípios, 306 são suscetíveis a deslizamentos, enxurradas e inundações — situação que coloca cerca de 1,5 milhão de pessoas em risco.

Segundo os especialistas, além da intensidade dos fenômenos, as condições locais e as desigualdades na capacidade de resposta institucional influenciam diretamente o nível de danos registrados em cada região.

Tendência de agravamento

O Cemaden alerta que o número de desastres climáticos no Brasil aumentou 222% entre o início da década de 1990 e os três primeiros anos de 2020. A tendência, de acordo com o órgão, é de que eventos extremos se tornem mais frequentes e intensos, especialmente ondas de calor, enquanto as ondas de frio devem se tornar menos comuns — embora algumas possam ocorrer com forte intensidade.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Cemaden reforça que os dados consolidam a necessidade de ampliar investimentos em ciência, tecnologia e monitoramento climático, além de integrar pesquisa e gestão pública para antecipar riscos e reduzir vulnerabilidades.

A íntegra do relatório, com 44 páginas, está disponível no site oficial do Cemaden.

Compartilhe
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

- Advertisement -