As contas do setor público brasileiro encerraram o mês de fevereiro no vermelho, com um déficit primário de R$ 16,4 bilhões, conforme dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Banco Central do Brasil. O resultado reflete o desempenho consolidado de União, estados, municípios e empresas estatais.
Apesar do saldo negativo, o resultado representa uma melhora em relação ao mesmo período do ano passado, quando o déficit foi de R$ 19 bilhões. O chamado resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas, sem incluir os juros da dívida pública.
No acumulado de 12 meses até fevereiro, o setor público apresenta déficit de R$ 52,8 bilhões, o equivalente a 0,41% do Produto Interno Bruto (PIB). Em todo o ano de 2025, o rombo havia sido ligeiramente maior, chegando a R$ 55 bilhões, ou 0,43% do PIB.
Governo federal pressiona resultado
O principal impacto negativo nas contas veio do Governo Central, que registrou déficit de R$ 29,5 bilhões em fevereiro. O resultado foi influenciado por despesas com programas sociais, como o Pé-de-Meia, além de reajustes concedidos ao funcionalismo público.
O valor difere do divulgado pelo Tesouro Nacional, que apontou déficit de R$ 30 bilhões, devido a diferenças metodológicas nos cálculos utilizados pelas instituições.
Veja também
Estados e municípios amenizam perdas
Em contrapartida, os governos regionais apresentaram desempenho positivo. Estados e municípios registraram superávit de R$ 13,7 bilhões no mês, acima dos R$ 9,2 bilhões verificados em fevereiro de 2025, ajudando a reduzir o impacto do resultado negativo federal.
Já as empresas estatais — excluindo Petrobras e Eletrobras — contribuíram para ampliar o déficit, com resultado negativo de R$ 568 milhões, revertendo o superávit registrado no mesmo mês do ano anterior.
Juros elevam déficit nominal
Os gastos com juros da dívida pública somaram R$ 84,2 bilhões em fevereiro. Com isso, o déficit nominal — que inclui o resultado primário e os juros — alcançou R$ 100,6 bilhões no mês, acima dos R$ 97,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
No acumulado de 12 meses, o déficit nominal chega a R$ 1,1 trilhão, equivalente a 8,48% do PIB. Esse indicador é acompanhado de perto por investidores e agências de classificação de risco para avaliar a saúde fiscal do país.
Dívida pública cresce e ultrapassa R$ 10 trilhões
A dívida líquida do setor público atingiu R$ 8,4 trilhões em fevereiro, o que corresponde a 65,5% do PIB, com alta de 0,5 ponto percentual no mês. O avanço é explicado pelo próprio déficit, pelos juros acumulados e pela valorização do câmbio no período.
Já a dívida bruta do governo geral — considerada um dos principais parâmetros de comparação internacional — chegou a R$ 10,2 trilhões, equivalente a 79,2% do PIB, também com aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior.



