O céu da madrugada desta terça-feira (3) será palco de um novo eclipse lunar. O fenômeno astronômico, que costuma atrair a atenção de curiosos e estudiosos, terá visibilidade limitada no Brasil. A fase mais aguardada, conhecida popularmente como “Lua de sangue”, não poderá ser acompanhada do território brasileiro.
O eclipse ocorre quando há um alinhamento entre o Sol, a Terra e a Lua. Nessa configuração, a Terra se posiciona entre o Sol e o satélite natural, projetando sua sombra sobre a superfície lunar. De acordo com o astrônomo Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, esse alinhamento faz com que a Lua atravesse diferentes partes da sombra terrestre ao longo do evento.
Durante o eclipse parcial, a sombra mais escura da Terra avança gradualmente sobre o disco da Lua, criando o efeito visual semelhante a uma “mordida”. Já no eclipse total, quando a Lua fica completamente imersa na parte mais escura da sombra — chamada umbra —, ocorre o fenômeno que dá origem ao tom avermelhado.
Mesmo sem receber luz solar direta, a Lua não desaparece. A luz do Sol atravessa a atmosfera da Terra antes de alcançar o satélite, e apenas as tonalidades avermelhadas conseguem passar com maior intensidade, enquanto as azuladas são dispersadas. Esse processo é o responsável pela coloração característica que originou o apelido “Lua de sangue”, termo popular que descreve o efeito visual.
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Como será a visibilidade no Brasil
Para a maior parte do país, o espetáculo será discreto. Grande parte do território brasileiro deverá observar apenas o eclipse penumbral, fase em que a Lua passa pela região mais clara da sombra da Terra. Nessa etapa, o escurecimento é sutil e pode ser difícil de perceber a olho nu.
Em cidades como São Paulo e Brasília, o fenômeno ocorrerá por volta das 6h da manhã, quando a Lua já estará baixa no horizonte oeste e próxima do nascer do Sol, o que dificulta ainda mais a observação.
A situação melhora levemente na região Norte. Estados como Acre, Rondônia e o oeste do Amazonas poderão acompanhar parte do eclipse parcial antes do nascer do Sol. No entanto, mesmo nessas áreas, a Lua se porá antes do início da fase total.
Quanto mais a oeste estiver o observador, maior será o percentual de cobertura da Lua. No extremo oeste do país, o encobrimento poderá chegar a cerca de 96%, valor muito próximo da totalidade, mas ainda classificado tecnicamente como eclipse parcial.
Etapas do fenômeno
Segundo a astrônoma Josina Nascimento, do Observatório Nacional, todo eclipse total da Lua passa por cinco fases: penumbral, parcial, total, parcial novamente e, por fim, penumbral.
Na fase penumbral, a Lua entra na região mais clara da sombra terrestre, provocando apenas uma leve diminuição do brilho. Quando começa a penetrar na umbra, inicia-se o eclipse parcial. A fase total ocorre quando o satélite fica completamente imerso na parte mais escura da sombra da Terra.
No caso desta terça-feira (3), a fase total ocorrerá quando a Lua já estiver abaixo do horizonte para os brasileiros. Assim, o ápice do fenômeno será visível principalmente em áreas do Oceano Pacífico, como Nova Zelândia e ilhas da região.
Cronograma do eclipse (horário de Brasília)
- 5h44 – Início do eclipse penumbral
- 6h50 – Início do eclipse parcial
- 8h04 às 9h02 – Fase total (não visível no Brasil)
Apesar da limitação na visibilidade, o fenômeno ainda representa uma oportunidade para os brasileiros acompanharem, ao menos parcialmente, mais um evento astronômico marcante no calendário de 2026.



