Desempenho do setor industrial registra avanço incomum em abril, aponta CNI

De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Sondagem Industrial mostrou, ainda, estabilidade no número de empregados na indústria e volume de estoque de acordo com o planejado pelos empresários

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Estudo realizado em abril de 2024 mostrou um aumento da produção industrial incomum para o período. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o índice de evolução da produção, que costuma atingir a queda nessa mesma época do ano, bateu 51,2 pontos neste mês, permanecendo acima da linha divisória de 50 pontos pelo segundo mês consecutivo, indicando aumento significativo na produção.

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Segundo dados da pesquisa, que tem como objetivo conhecer a tendência da atividade industrial e as expectativas dos empresários, bem como realizar uma sondagem de opinião empresarial mensal, o cenário atípico é resultado do crescimento das grandes empresas, que bateram 53,5 pontos — e da estabilidade do indicador das médias, que ficou com 50,1 pontos. Em contrapartida, para as pequenas empresas, o índice apontou queda na produção, marcando 47,6 pontos.

Para o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, o avanço está ligado à estabilidade do ajuste dos estoques conforme o planejado pelos industriais, o que já vem acontecendo há cinco meses.

“Esse momento mais positivo para a indústria se deve à estabilidade dos estoques, que já vem de algum tempo — o que faz com que aumentos na demanda se traduzam em maior produção e manutenção do emprego. De uma forma geral, as expectativas pioraram um pouco na passagem de abril para maio de 2024, as variações foram pequenas, de forma que os índices continuaram acima de 50 pontos, mostrando otimismo dos empresários”, explica. 

Em abril houve, ainda, expansão no número de empregados estáveis nas grandes indústrias. De acordo com a pesquisa da CNI, os números chegaram a 50,1 pontos, sendo esse o terceiro mês seguido em que o índice fica acima da linha divisória dos 50 pontos em abril, para o setor. Porém, houve queda no número de empregados nas pequenas indústrias.

Na opinião do economista Roberto Piscitelli, professor de Finanças Públicas da Universidade de Brasília (UNB), os avanços que foram captados e a manutenção dos estoques indicam que os excessos que vinham do ano anterior, 2023 foram eliminados. Portanto, as empresas estão trabalhando de acordo com o que já haviam planejado.

“Talvez seja bom levar em conta o fato de que o aumento da produção e a expectativa favorável em relação às grandes empresas induzem a perspectiva de que a gente melhore em média os níveis salariais. São as grandes empresas no geral que se valem de tecnologias mais avançadas e de empregados mais especializados — e, portanto, mais bem remunerados. As pequenas, ao contrário; apesar de empregarem um número maior de pessoas tendem a pagar salários mais baixos”, aponta.

Elaborada em parceria com 25 Federações de Indústria, a pesquisa de Sondagem Industrial da CNI apresenta resultados por porte de empresa, regiões geográficas e setores de atividades industriais extrativas e de transformação.

Reportagem, Carol Castro

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