Acesso ao diagnóstico e terapias para autistas ainda é limitado no Brasil, aponta estudo inédito

Levantamento nacional revela desigualdade no acesso a serviços e impacto na vida de famílias e cuidadores.

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Um levantamento inédito divulgado nesta quinta-feira (9) aponta que pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) ainda enfrentam dificuldades significativas para obter diagnóstico e acesso a terapias no Brasil. O estudo, intitulado Mapa Autismo Brasil (MAB), foi elaborado pelo Instituto Autismos e traça o primeiro perfil sociodemográfico nacional dessa população.

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A pesquisa ouviu mais de 23 mil pessoas em todos os estados entre março e julho de 2025, incluindo autistas adultos e responsáveis. Os dados revelam que apenas 20,4% dos diagnósticos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto a maioria depende de serviços privados ou planos de saúde.

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Além disso, somente 15,5% dos entrevistados afirmaram realizar terapias pela rede pública. Em contrapartida, mais de 60% recorrem a atendimento particular ou convênios, o que evidencia desigualdade no acesso aos serviços essenciais.

Carga terapêutica abaixo do ideal

O estudo também chama atenção para a baixa carga semanal de terapias. Mais da metade dos participantes informou realizar até duas horas semanais de acompanhamento, número considerado insuficiente diante das recomendações internacionais, que indicam intervenções intensivas e multidisciplinares.

Segundo o instituto responsável, essa limitação está diretamente relacionada ao custo elevado e à baixa oferta de serviços especializados, tanto na rede pública quanto na privada.

Perfil da população autista

O levantamento traçou um panorama detalhado do perfil das pessoas com TEA no país. Entre os principais dados:

  • 65,3% são do sexo masculino;
  • 72,1% têm até 17 anos;
  • A maioria possui nível 1 de suporte (53,7%), considerado o mais leve;
  • Comorbidades são frequentes, como TDAH (51,5%) e ansiedade (41,1%).

Em relação à renda, grande parte das famílias está concentrada nas faixas de baixa e média renda, o que agrava as dificuldades de acesso a tratamentos contínuos.

Diagnóstico ainda é tardio em muitos casos

Embora parte dos diagnósticos ocorra na primeira infância, o estudo aponta que ainda há um número relevante de identificações tardias. A mediana de idade para diagnóstico é de 4 anos, mas a média sobe para 11 anos, indicando atraso em muitos casos.

Os primeiros sinais costumam ser percebidos principalmente por familiares, enquanto médicos e professores têm participação menor na identificação inicial. O diagnóstico é realizado, em sua maioria, por neurologistas e psiquiatras — profissionais nem sempre disponíveis em todas as regiões.

Impacto na vida dos cuidadores

O levantamento também evidencia os efeitos do TEA na vida dos cuidadores, especialmente das mães, que representam mais de 90% dos responsáveis. Cerca de 30% declararam estar desempregados ou sem renda, o que reforça o impacto direto das demandas de cuidado na vida profissional.

Para o Instituto Autismos, esse cenário amplia a vulnerabilidade econômica das famílias e reforça a necessidade de políticas públicas mais eficazes.

Educação e inclusão ainda são desafios

Apesar de 83,7% das pessoas autistas frequentarem instituições de ensino, quase 40% não recebem nenhum tipo de apoio especializado. A ausência de recursos como mediadores escolares e adaptações pedagógicas compromete a inclusão efetiva.

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Na vida adulta, os desafios continuam: quase 30% dos autistas entre 18 e 76 anos estão desempregados ou sem renda, evidenciando barreiras estruturais no mercado de trabalho.

Dados complementam o Censo

O estudo reforça dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que identificou cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA no país — o equivalente a 1,2% da população.

Diferente do Censo, o Mapa Autismo Brasil aprofunda a análise ao abordar aspectos socioeconômicos e o acesso a serviços, apontando lacunas e necessidades urgentes de melhoria nas políticas públicas.

Conclusão
Os resultados revelam um cenário de avanços ainda limitados e reforçam a necessidade de ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, à rede de cuidados e à inclusão social das pessoas com autismo no Brasil.

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