Ministérios das Comunicações e Minas e Energia instituem Política Nacional de Compartilhamento de Postes para solucionar “problema histórico”

Iniciativa busca regulamentar o uso conjunto de postes para melhorar a qualidade dos serviços de telecomunicações e energia elétrica no Brasil

Publicidade

Mais lidas

Em um esforço conjunto para abordar um “problema histórico” que afeta a qualidade dos serviços de telecomunicações e energia elétrica no Brasil, os Ministérios das Comunicações e de Minas e Energia anunciaram a instituição da Política Nacional de Compartilhamento de Postes. A medida, também conhecida como “Poste Legal”, visa regulamentar o uso compartilhado da infraestrutura de postes que se tornou essencial para a expansão dos serviços de internet, telefone e TV por assinatura.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

Os ministros Juscelino Filho, das Comunicações, e Alexandre Silveira, de Minas e Energia, enfatizaram a importância desta iniciativa em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (26). Filho destacou que, antes de assumir o Ministério das Comunicações, ele não tinha noção da magnitude do problema relacionado aos postes.

“Até chegar ao Ministério [das Comunicações], eu não tinha nenhum tipo de relação com o setor. Por isso, jamais imaginei que os postes eram um [grande] problema para o setor de telecomunicações; um problema histórico que impacta o dia a dia”, comentou Filho, referindo-se aos conflitos, irregularidades e problemas decorrentes do uso desordenado dos postes instalados para atender à crescente demanda por serviços de energia elétrica e telecomunicações.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em 2019, já havia cerca de 45 milhões de postes espalhados pelo Brasil. Desses, cerca de 11 milhões apresentavam algum tipo de problema associado à ocupação irregular, situação verificada em 25% dos 5.570 municípios brasileiros.

Embora diagnosticado e discutido em diferentes instâncias, o problema seguiu se agravando nos anos seguintes, ameaçando a qualidade dos serviços e a segurança da população, exposta a emaranhados de fios e cabos, muitos deles energizados e sem a devida identificação, quando não instalados clandestinamente.

“A ocupação desordenada dos pontos de fixação vem crescendo nos últimos anos, sendo acentuada pela ocupação clandestina e irregular. Por vezes, ocupantes implantam suas redes sem qualquer relação contratual com a distribuidora. Também ocupam mais pontos e postes do que a quantidade contratada, sem observar [as normas de] segurança”, confirmou o ministro Alexandre Silveira, frisando a importância do trabalho conjunto para fazer frente à crescente “complexidade para regularizar a ocupação” dos postes.

A Política Nacional de Compartilhamento de Postes, também chamada de Poste Legal, substituirá as regras estabelecidas em 2014 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Anatel. Agora, as empresas de internet, telefone e TV por assinatura continuarão solicitando o compartilhamento de postes diretamente às distribuidoras de energia elétrica. Caso o pedido seja aceito, caberá às próprias empresas de telecomunicações instalar seus equipamentos conforme os parâmetros estipulados pela Anatel e pela Aneel. As empresas de telecom pagarão às empresas de energia elétrica para usar a infraestrutura conforme “os custos envolvidos” na ocupação dos postes. A metodologia para definição dos valores a serem cobrados ainda será definida pela Anatel e pela Aneel, conjuntamente.

“Este momento é um marco muito importante”, disse o conselheiro da Anatel, Artur Coimbra. “No início dos anos 2000, a Anatel fez uma consulta pública para regulamentar o compartilhamento da infraestrutura de telecomunicações. Já naquela época, um dos maiores problemas era a dificuldade e a desorganização do acesso a postes e os valores cobrados. Com o passar do tempo, o problema veio crescendo, como efeito colateral do aumento da competição do setor de telecomunicações. Se no começo dos anos 2000 não tínhamos, provavelmente, nem 500 empresas de telecomunicações, hoje temos mais de 20 mil empresas. Cada uma delas com seus cabos, fibras, e querendo se plugar a um poste. A situação chegou a um ponto grave e, realmente, ver esta iniciativa [a política nacional] é algo muito gratificante”, ressaltou o conselheiro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas notícias

Conteúdo protegido!

 

Você não tem permissão para copiar/reproduzir nosso conteúdo!

Enviar mensagem
1
Fale conosco
Envia sua notícia ou denúncia para a nossa equipe de jornalismo!