Apesar do entusiasmo crescente em torno da inteligência artificial (IA), a tecnologia ainda enfrenta dificuldades para gerar resultados concretos no ambiente corporativo. A avaliação é de Norbert Jung, diretor-executivo da Bosch Connected Industry, divisão tecnológica da multinacional alemã Bosch.
Segundo o executivo, embora muitas empresas estejam investindo em soluções baseadas em IA, a maioria das iniciativas ainda se encontra em estágio experimental e sem retorno financeiro significativo.
“Existe um grande entusiasmo e uma expectativa muito alta em relação ao que a inteligência artificial pode resolver. Porém, a maioria das empresas ainda está em fase piloto. Hoje, cerca de 95% dos projetos de IA não entregam valor econômico”, afirmou.
Para Jung, um dos principais desafios enfrentados pelas organizações está relacionado ao enorme volume de dados disponíveis. Embora as empresas tenham acesso a cada vez mais informações, transformar esses dados em resultados práticos ainda é uma tarefa complexa.
“Temos uma quantidade crescente de dados, mas isso não significa que estamos gerando mais valor a partir deles”, explicou.
Debate internacional sobre tecnologia
As declarações foram feitas durante um painel sobre inteligência artificial em um evento que antecede a Hannover Messe, considerada a maior feira de inovação e tecnologia industrial do mundo. O evento será realizado entre os dias 20 e 24 de abril na cidade de Hannover, no norte da Alemanha.
A edição deste ano terá o Brasil como país homenageado, com destaque para soluções tecnológicas nas áreas de robótica, inteligência artificial, digitalização industrial, automação, descarbonização e energia limpa.
A programação contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do chanceler alemão Friedrich Merz, que confirmaram participação no evento.
Integração entre pessoas e máquinas
Para ampliar o impacto da inteligência artificial no setor industrial, Jung defende uma maior integração entre tecnologia e conhecimento humano. Segundo ele, a combinação entre pessoas, máquinas e sistemas inteligentes pode gerar resultados mais eficientes dentro das fábricas.
Veja também
“A solução está em unir inteligência artificial, máquinas e seres humanos em um modelo de colaboração dentro da manufatura”, destacou.
Essa visão também aparece em um estudo divulgado pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). O relatório sobre o estado da inteligência artificial nos negócios em 2025 aponta que, mesmo com investimentos empresariais estimados entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares em IA generativa, cerca de 95% das organizações ainda não obtiveram retorno financeiro com a tecnologia.
Robôs ampliam aplicação da IA
Durante o mesmo painel, Sven Parusel, chefe do departamento de pesquisa da empresa de robótica Agile Robots, destacou que a inteligência artificial começa a ganhar aplicações mais concretas quando integrada a sistemas robóticos.
“Estamos vendo a IA sair das telas e entrar diretamente nos ambientes industriais, principalmente quando combinada com robôs e máquinas físicas”, explicou.
Segundo ele, a empresa desenvolve desde 2018 soluções que incluem braços e mãos robóticas, sistemas móveis e até robôs humanoides. Um dos projetos utiliza dois braços robóticos controlados por IA para montar caixas de câmbio, utilizando visão computacional para identificar peças e executar tarefas com precisão.
A tecnologia, de acordo com Parusel, já demonstra benefícios como maior velocidade de produção, flexibilidade nas linhas industriais e facilidade na configuração dos processos.
Brasil terá participação de destaque
Como país homenageado da edição deste ano da Hannover Messe, o Brasil contará com uma área de aproximadamente 2,7 mil metros quadrados dentro da feira. A participação brasileira está sendo organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Ao todo, cerca de 140 expositores brasileiros e uma delegação composta por aproximadamente 300 empresas devem participar do evento.
De acordo com Márcia Nejaim, o país possui potencial para se destacar no desenvolvimento de soluções em inteligência artificial, graças à qualificação dos profissionais e à atuação de centros de pesquisa e empresas do setor.
Entre os exemplos citados estão o Instituto Eldorado, além das empresas Stefanini e Fu2re, que trabalham com projetos avançados de tecnologia.
Segundo a representante da ApexBrasil, profissionais brasileiros da área tecnológica também têm sido cada vez mais procurados por empresas internacionais, reforçando o potencial do país no cenário global de inovação.



