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Fóssil em Itapipoca indica que Ceará teve clima mais ameno há 10 mil anos

Nova descoberta sobre fóssil descoberto em 1961 em Itapipoca, traz revelações sobre o passado do território.

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Nova descoberta sobre fóssil descoberto em 1961 em Itapipoca, no Ceará, traz revelações sobre o passado do território. Os fragmentos pesquisados provavelmente estão entre o material destruído no incêndio do Museu Nacional. Porém, fotografias e descrições anatômicas detalhadas permitiram novas conclusões após 60 anos. As conclusões estão no artigo “Ressuscitando das cinzas: os maiores cervos da América do Sul (Cetartiodactyla: Cervidae) já vagaram pelo Nordeste do Brasil” (em tradução livre do inglês), publicado em janeiro na revista científica internacional “Journal of South American Sciences”. Elas indicam que a região Nordeste já foi uma região de extensas pastagens naturais e clima ameno.

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Confira entrevista com Celso Lira Ximenes, geólogo e paleontólogo, curador do Museu de Pré-História de Itapipoca.

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Qual a importância da descoberta que cervos-gigantes viveram no Ceará?

Celso Ximenes – Todo e qualquer fóssil, por menor ou mais fragmentado que esteja, é de grande importância para uma série de interpretações sobre os antigos ambientes em que os seres vivos habitaram. Isso ajuda a entender como os biomas atuais se desenvolveram, quais os estágios desse desenvolvimento e se podem nos dar pistas da tendência de modificação futura, principalmente nos aspectos climáticos, que poderiam afetar a sobrevivência humana.

A pesquisa desenvolvida faz uma revisão e reclassificação de fósseis que já haviam sido identificados. Isso é comum na Paleontologia?

Ximenes – As peças já haviam sido estudadas anteriormente pela paleontóloga carioca Márcia Gomide da Silva Mello, que em 1989 as identificou na época como pertencentes a dois cervos da fauna brasileira atual, portanto, ainda viventes. O fato de as identificações terem sido modificadas não significa que ela tenha cometido erros. Na Paleontologia, revisões científicas em fósseis são comuns e até necessárias. É assim que a Ciência avança. O que ocorre é que Gomide trabalhou com o que tinha disponível na época, em termos de tecnologia laboratorial, acesso a coleções científicas de referência (que muitas vezes estão em outros países) e informações de anatomia comparada na literatura científica. Passados mais de 30 anos, Alline Rotti e seus colaboradores não só tiveram melhor acesso a esses recursos, como puderam contar com novas descobertas de fósseis, que possibilitaram uma melhor visão interpretativa.

O que mais chama a atenção na descoberta desses animais?

Ximenes – Uma questão importante é o gigantismo desses cervos. A massa corporal média estimada para Morenelaphus é de 118 kg, mas que podia chegar a 150 kg, o que seria um pouco mais que o maior cervo vivente da América do Sul, o Cervo-do-Pantanal (Blastocerus dichotomus), que tem em média 100-110 kg. Porém, em contraste ao cervo-do-pantanal, que tem chifres pequenos em relação ao corpo, o Morenelaphus tinha os chifres mais desproporcionais (grandes e longos) e mais complexos entre os cervídeos que já ocorreram na América do Sul. Já o outro cervo-gigante de Itapipoca era muito maior que Morenelaphus, superando, provavelmente, os 200 kg. Outro ponto é a ampliação da ocorrência geográfica de fósseis do cervo-gigante Morenelaphus na América do Sul. Além do Brasil, esse cervo viveu em territórios da Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia. A grande novidade é que a ocorrência de Itapipoca passa a ser o registro de Morenelaphus mais ao norte da América do Sul.

O que essa descoberta pode dizer sobre o Ceará de mais de 10 mi anos atrás?

Ximenes – Segundo os autores da pesquisa, a presença dos cervos-gigantes no Nordeste pode sugerir que havia temperaturas mais amenas para esta região do que as condições climáticas atuais. Além disso, a presença de Morenelaphus também pode sugerir um ambiente com grande frequência de gramíneas e menor área de elementos arbóreos, visto que ele tinha hábitos de pastagem. Consequentemente, o grande território conhecido na Paleontologia como Região Intertropical Brasileira sofreu mudanças ambientais e climáticas drásticas, comparando suas condições passadas e presentes, o que pode ter sido um dos motores da extinção desses veados nesta região, há cerca de 10 mil anos.

Fonte: O Povo Online

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