PGR defende fim do sigilo em processo que envolve pagamentos de Daniel Vorcaro

Procuradoria afirma que acesso ao conteúdo é necessário para esclarecer os elementos que serão analisados pelo Supremo em meio à crise envolvendo ministros da Corte

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou a favor da retirada do sigilo de um processo que trata de pagamentos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master. A manifestação foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) após solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

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O pedido para tornar o processo público partiu de uma solicitação feita pelo ministro Alexandre de Moraes. Em ofício encaminhado a Fachin, Moraes afirmou que o acesso ao conteúdo da petição seria necessário diante dos assuntos relacionados aos pagamentos realizados por Vorcaro.

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Antes de tomar uma decisão, Fachin solicitou a manifestação da PGR. No parecer, o vice-procurador-geral da República, Hidenburgo Chateaubriand Filho, defendeu que o sigilo seja levantado para permitir uma análise mais ampla dos elementos relacionados ao caso.

Segundo a Procuradoria, a publicidade do conteúdo contribuiria para que os ministros tenham acesso ao conjunto de informações necessárias à compreensão do tema que será discutido pelo Supremo.

A manifestação também faz referência ao julgamento previsto para esta terça-feira (15), quando o plenário do STF deverá analisar a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

Processo não era conhecido pela PGR

O caso envolvendo os pagamentos permanece sob sigilo, diferentemente de outras frentes relacionadas à Operação Compliance Zero. Até agora, o Supremo retirou o segredo de Justiça de 53 linhas de investigação derivadas da operação, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.

De acordo com a PGR, o órgão sequer tinha conhecimento da existência da petição que trata especificamente dos pagamentos. O documento não estaria disponível para consulta da Procuradoria no sistema eletrônico do STF.

A situação chamou atenção porque o processo está relacionado diretamente aos acontecimentos que serão analisados pelo plenário da Corte.

Mensagens entre Vorcaro e Moraes

Na sessão desta terça-feira, os ministros também deverão analisar um relatório elaborado pela Polícia Federal contendo 52 mensagens que, segundo os investigadores, teriam sido enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes.

O material foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro. As mensagens abrangem o período entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.

Em uma das conversas, Vorcaro aparenta encaminhar a Moraes informações relacionadas a um contrato de R$ 131 milhões firmado pelo Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação da Polícia Federal que poderia resultar em sua prisão. Os investigadores afirmaram, entretanto, que não conseguiram recuperar as respostas enviadas pelo interlocutor.

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Divulgação do relatório provocou crise no STF

O relatório da Polícia Federal se tornou público no início de setembro, depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, determinou a retirada do sigilo do material.

A decisão provocou um forte embate entre integrantes da Corte e abriu uma das maiores crises internas recentes no STF.

Posteriormente, a PGR solicitou que o relatório fosse anulado. Para a Procuradoria, houve irregularidades na forma como o material foi produzido e incorporado à investigação.

O órgão argumenta que Mendonça não poderia ter autorizado o prosseguimento de medidas investigativas envolvendo um ministro do Supremo sem antes comunicar o plenário da Corte.

Moraes reage e pede investigação contra Mendonça

Em meio à disputa, Alexandre de Moraes apresentou ao presidente do STF um documento que classificou como um “relatório de inteligência” da Polícia Federal. Segundo Moraes, o material indicaria que as investigações relacionadas ao caso Master teriam sido direcionadas por Mendonça com o objetivo de atingir adversários políticos.

O documento, porém, não possui assinatura nem o timbre oficial da Polícia Federal. Além disso, a própria capa informa que o conteúdo foi elaborado como uma conjectura e que não possui valor probatório.

Diante das acusações, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra André Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Fachin marcou a análise do pedido para o dia 23 de setembro.

Enquanto isso, a decisão sobre a retirada do sigilo do processo envolvendo os pagamentos de Vorcaro deverá ser tomada pelo presidente do STF, após a manifestação favorável apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

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