O número de pessoas em situação de rua no Brasil chegou a 388.855 em maio deste ano, segundo dados do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), sistema utilizado pelo governo federal para identificar famílias de baixa renda. O levantamento foi divulgado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
De acordo com o estudo, São Paulo permanece como o estado com a maior população vivendo nas ruas, registrando 159.290 pessoas nessa condição. O total supera com ampla margem os números observados no Rio de Janeiro, que contabilizou 35.406 registros, e em Minas Gerais, com 34.849 pessoas.
A pesquisa também evidencia um crescimento expressivo entre 2020 e 2025 nos três estados mais afetados. Em São Paulo, o contingente passou de 83.074 para mais de 150 mil pessoas. No Rio de Janeiro, o número aumentou de 23.433 para 33.656, enquanto Minas Gerais registrou avanço de 14.304 para 33.139 pessoas.
Os pesquisadores destacam que a expansão observada em São Paulo é considerada desproporcional em relação ao restante do país. Atualmente, o estado concentra cerca de 40% de toda a população em situação de rua registrada no Brasil.
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Outro caso que chamou a atenção dos especialistas foi o de Roraima. O estado passou de 2.537 pessoas em situação de rua em 2020 para 10.520 em 2025. Grande parte desse aumento foi registrada na capital, Boa Vista, onde os registros saltaram de 2.484 para 10.497 no mesmo período.
No Ceará, os dados mostram forte concentração da população em situação de rua na capital. Fortaleza reúne 11.349 pessoas nessa condição, de um total estadual de 14.171 registros. O cenário evidencia a centralização do fenômeno nos grandes centros urbanos.
Entre os estados classificados com situação de gravidade intermediária estão Santa Catarina, Roraima, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Pará, Mato Grosso, Amazonas e o Distrito Federal. Já os menores índices foram observados no Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí.
Segundo os responsáveis pelo levantamento, aproximadamente 60% da população em situação de rua está concentrada na Região Sudeste. O estudo aponta que a busca por oportunidades de emprego em grandes centros urbanos é um dos fatores relacionados a essa concentração, embora muitas cidades não consigam absorver adequadamente a demanda social gerada por esse fluxo migratório.
O perfil demográfico também revela desigualdades significativas. De acordo com a pesquisa, sete em cada dez pessoas em situação de rua no país são negras, reforçando a necessidade de políticas públicas voltadas à redução das vulnerabilidades sociais e econômicas que atingem essa parcela da população.



