O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um inquérito da Polícia Federal (PF) para investigar a possível participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em supostos crimes relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador foi incluído, em julho, nas investigações que buscam esclarecer a origem e a destinação de aproximadamente R$ 61 milhões que teriam sido disponibilizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do antigo Banco Master, para financiar a produção cinematográfica.
De acordo com a linha investigativa apresentada pela Polícia Federal, há suspeita de que o dinheiro tenha sido disponibilizado por Vorcaro a partir de uma solicitação feita por Flávio Bolsonaro. A apuração também alcança o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, apontado como possível beneficiário de parte dos recursos.
A investigação foi solicitada pela Polícia Federal e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre os crimes que deverão ser apurados estão lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis delitos relacionados às movimentações financeiras.
Segundo a PF, o procedimento foi instaurado em caráter sigiloso e está vinculado a uma investigação que tramita no STF e tem relação com a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras bilionárias e possível envolvimento de agentes públicos em irregularidades relacionadas ao grupo de Daniel Vorcaro.
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Sigilo de documentos foi parcialmente levantado
A existência do inquérito envolvendo diretamente Flávio Bolsonaro veio a público após André Mendonça determinar, na noite de quinta-feira (10), a retirada do sigilo de 15 procedimentos investigativos derivados da Operação Compliance Zero.
A decisão ocorreu após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, solicitar a divulgação das investigações relacionadas ao caso do antigo Banco Master. O magistrado, entretanto, estabeleceu que informações referentes a diligências que dependam de sigilo para serem realizadas continuem protegidas.
Apesar da divulgação da abertura do inquérito, Mendonça manteve sob sigilo o conteúdo da investigação envolvendo Flávio Bolsonaro, o financiamento de “Dark Horse” e os demais elementos que fazem parte dessa apuração específica.
Delação envolve supostos repasses em dinheiro vivo
Outro elemento considerado pelos investigadores é a delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. O acordo foi homologado por André Mendonça e envolve informações sobre supostos repasses em dinheiro vivo que teriam relação com o financiamento do filme.
As declarações passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pelas autoridades para esclarecer como os recursos teriam sido movimentados e qual teria sido a participação de cada pessoa envolvida nas operações.
Áudios revelaram contato entre Flávio e Vorcaro
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou maior repercussão após a divulgação, pelo portal The Intercept Brasil, de áudios nos quais o senador aparece solicitando ao ex-banqueiro recursos para a produção de “Dark Horse”.
Com a abertura do inquérito, a Polícia Federal deverá aprofundar a análise das movimentações financeiras, dos possíveis repasses e das circunstâncias que envolveram o financiamento da obra cinematográfica.
A investigação ainda está em fase de apuração. A condição de investigado não significa que Flávio Bolsonaro ou os demais citados tenham sido considerados culpados. Caberá às autoridades reunir elementos que possam confirmar ou descartar as suspeitas levantadas no procedimento.



