Protestos no Irã deixam mais de 500 mortos e elevam tensão com os EUA

Grupo de direitos humanos aponta quase 500 manifestantes mortos; Teerã ameaça atingir bases americanas e Israel diante de possíveis ações de Washington.

Portal Itapipoca Portal Itapipoca
3 minuto(s) de leitura
- PUBLICIDADE -

As ondas de protestos que tomam conta do Irã já resultaram em mais de 500 mortes, segundo organizações de direitos humanos. O agravamento do cenário ocorre em meio a advertências do governo iraniano contra os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump voltar a falar em possíveis medidas para apoiar manifestantes e pressionar o regime de Teerã.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

De acordo com dados divulgados neste domingo (11) pela HRANA, entidade sediada nos EUA que monitora violações de direitos humanos, foram confirmadas 490 mortes de manifestantes e 48 de integrantes das forças de segurança ao longo de duas semanas de confrontos. O levantamento também aponta mais de 10.600 prisões em todo o país, com base em informações de ativistas dentro e fora do Irã.

- CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE -

O governo iraniano não divulgou números oficiais de vítimas. A agência Reuters afirmou não ter conseguido verificar de forma independente os dados apresentados pela HRANA.

Pressão internacional e ameaças

Em meio ao aumento da repressão, Trump tem reiterado que pode intervir caso o uso da força contra manifestantes se intensifique. Segundo reportagem do Wall Street Journal, o presidente norte-americano deverá ser informado por seus assessores, nos próximos dias, sobre um leque de opções envolvendo o Irã — que inclui desde ataques militares e operações cibernéticas até o endurecimento de sanções e apoio online a grupos antigovernamentais.

A resposta de Teerã veio em tom duro. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu Washington contra o que chamou de “erro de cálculo” e afirmou que qualquer ofensiva teria consequências diretas. “Sejamos claros: no caso de um ataque ao Irã, os territórios ocupados, bem como todas as bases e navios dos EUA, serão alvos legítimos”, declarou o parlamentar, ex-comandante da Guarda Revolucionária do Irã.

Repressão e acusações

Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, motivados pelo aumento dos preços e pelo agravamento da crise econômica. Rapidamente, porém, ganharam contornos políticos e passaram a questionar o sistema clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. As autoridades iranianas acusam os EUA e Israel de fomentarem a instabilidade.

Em entrevista à televisão estatal, o presidente Masoud Pezeshkian afirmou que potências estrangeiras estariam por trás da escalada de violência e que “terroristas” teriam sido infiltrados nos atos. “Peço às famílias que não permitam que seus filhos se juntem a desordeiros e terroristas que decapitam pessoas e atacam propriedades públicas”, disse. Apesar do discurso firme, Pezeshkian declarou que o governo está disposto a ouvir a população e buscar soluções para os problemas econômicos.

Enquanto a repressão se intensifica e o número de vítimas cresce, o impasse entre Teerã e Washington eleva o risco de uma crise internacional ainda mais ampla, mantendo a comunidade global em alerta para os próximos desdobramentos.

Compartilhe
Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

- Advertisement -