Fachin aguarda manifestações de Moraes e Mendonça antes de decidir sobre crise no STF

Presidente da Corte analisa se levará ao plenário os pedidos de investigação envolvendo os ministros e documentos relacionados ao caso Banco Master.

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deve aguardar as manifestações dos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça antes de definir quais serão os próximos passos diante da crise interna que envolve os dois integrantes da Corte. A decisão poderá determinar se o caso será analisado pelo plenário do Supremo, em sessão pública ou reservada.

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A tensão entre os ministros se agravou nos últimos dias após a circulação de documentos e relatórios com informações potencialmente comprometedoras e a apresentação de pedidos para que um investigue o outro. O episódio é considerado um dos momentos de maior desgaste institucional do STF na história recente.

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No capítulo mais recente, André Mendonça liberou para análise do plenário um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) que aponta uma relação de proximidade entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Vorcaro é investigado por suspeitas relacionadas a fraudes financeiras de grande proporção e possíveis atos de corrupção envolvendo autoridades públicas.

Fachin, entretanto, deverá esperar o fim do prazo concedido aos ministros para que apresentem suas explicações. As manifestações devem ser entregues até a próxima sexta-feira (11), quando termina o período de cinco dias estabelecido pelo presidente do STF.

Reunião reservada é uma das possibilidades

Entre as alternativas avaliadas por Fachin está a convocação de uma reunião reservada em seu gabinete, com a participação dos demais ministros da Corte. O objetivo seria discutir internamente a forma mais adequada de conduzir o caso e evitar que a crise avance sem uma definição institucional.

Uma medida semelhante foi adotada em fevereiro deste ano, quando surgiram informações sobre uma suposta relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli. Naquele momento, o processo envolvendo o Banco Master deixou a relatoria de Toffoli e passou para André Mendonça.

A situação atual, porém, apresenta uma diferença importante. Fachin decidiu reunir em um processo sob sua própria relatoria os documentos e os pedidos relacionados à crise entre Moraes e Mendonça.

Embora seja considerada uma possibilidade pouco provável, o presidente do STF também poderá tomar uma decisão individual sobre o arquivamento dos pedidos ou sobre a abertura de eventual investigação envolvendo integrantes da própria Corte.

PGR pede anulação de relatório da PF

Entre os documentos encaminhados a Fachin está um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da Polícia Federal que foi liberado por Mendonça seja anulado.

Segundo a argumentação apresentada, o avanço de uma investigação envolvendo um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da própria Corte.

O nome de Gonet, entretanto, também aparece no relatório da PF mencionado no caso, em referências a possíveis relações com Daniel Vorcaro.

Moraes também pede investigação contra Mendonça

Alexandre de Moraes, por sua vez, apresentou a Fachin um pedido para que André Mendonça seja investigado por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

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Para sustentar a solicitação, Moraes apresentou um relatório de inteligência atribuído à Polícia Federal. O documento levanta a possibilidade de Mendonça utilizar sua atuação no caso Banco Master para direcionar investigações contra adversários políticos.

O material, contudo, não possui assinatura e apresenta, logo na capa, uma ressalva de que as informações são conjecturas e não possuem valor probatório.

Regimento do STF não detalha como crise deve ser conduzida

O Regimento Interno do Supremo estabelece que cabe ao plenário da Corte processar e julgar os próprios ministros. Apesar disso, as regras não definem de maneira detalhada como deve ocorrer a tramitação de situações em que integrantes do tribunal são alvo de pedidos de investigação ou acusações formuladas por outros ministros.

Diante desse cenário, Fachin deverá avaliar os documentos e as manifestações dos envolvidos antes de definir o procedimento. A decisão poderá estabelecer não apenas o destino dos pedidos apresentados, mas também a forma como o Supremo conduzirá uma das mais delicadas crises internas dos últimos anos.

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